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#005 | Hora de dizer adeus

Walker levantou às 5 da manhã, e como não havia dormido nada, resolveu descer e caminhar pela praia. Um pouco de ar talvez fizesse bem, pensou. Achou que já tinha visto tudo durante a madrugada, mas o show não havia terminado. Ao chegar na sala, encontrou Isaac e Barbara agarrados no sofá, dormindo relaxados, como se estivessem em suas camas. Ele tinha que tirá-los dali antes que a situação ficasse ainda mais constrangedora. Deu duas batidinhas no ombro de Isaac, e, ao se aproximar, percebeu que tanto ele quanto Barbara cheiravam à bebida.

_Pai??? -espantou-se. _O que eu estou fazendo aqui?

_Vista-se, Isaac, você e sua amiga estão quase nus.

Isaac estava sentindo-se péssimo. Era horrível encarar Walker daquele jeito. Sabia que o pai estava bravo, tentando ao máximo controlar a raiva.

Barbara abriu os olhos e viu Walker, foi então que se deu conta do lugar que estava: O sofá da casa de Bill. Ficou constrangida por ter sido pega naquele estado, mas não tinha muito o que fazer. Levantou com Isaac, e já estavam indo para o quarto, quando Walker chamou o filho.

_Ike... -ele começou. _Eu já tive uma conversa com Zac quando estávamos no hotel... Falei para ele algumas coisas sobre sexo e...

Isaac o interrompeu:

_Ah, pai...

_Deixe-me continuar. Eu sei que você e Taylor também estão tendo relações sexuais com suas amigas. Não é verdade?

Isaac fez que sim com a cabeça.

_Eu quero que você pense bem no que está fazendo. Eu não vou te dar uma bronca porque você tem dezoito anos e aquela menina também é mais velha, mas prestem atenção nos lugares que escolhem para transar. Foi arriscado fazer isso no sofá. Vocês podiam ter sido pegos pelos donos da casa, ou mesmo por um de seus irmãos mais novos...

_Como sabe sobre o sofá?

_Ike, eu não nasci ontem. Eu sei que vocês beberam antes... Não foi?

_Sim, nós bebemos. -ele estava de cabeça baixa.

_Ike, você nunca bebeu. O que deu em você? Tem certeza que essas garotas são boas influências?

_Pai, nós amamos elas. Vamos lutar por elas. Você entendeu? -disse olhando para Walker.

_Eu não vou impedir nada, elas parecem ser legais, mas são bem mais evoluídas que vocês.

_O quê??? -Isaac se irritou. _Você está querendo dizer que sou um imbecil?

_Não, Ike...

_Elas não são mais evoluídas, você é que não percebeu que os costumes são diferentes. -estava realmente bravo. _Eu não vou ficar aqui discutindo com você.

Walker percebeu que Isaac estava nervoso e resolveu dispensá-lo.

_Vá. Suba e descanse mais um pouco, depois do almoço vamos voltar para o Rio de Janeiro e pegar o avião para o nosso país.

_Você vai mesmo nos afastar delas, não é? -perguntou ao pai, quase chorando.

_Não, Ike, estaremos apenas voltando ao nosso lar.

Isaac virou as costas e subiu as escadas. Sabia o que Walker queria dizer com aquilo, sim, ficariam longe delas, e não estava nem um pouco feliz. Deitou na cama de Barbara, e quando ela perguntou porque ele não estava em sua própria cama, disse:

_Quero te sentir mais perto.

Zac foi o primeiro a acordar, às dez da manhã, e tratou de acordar o resto:

_Vamos acordar, está na hora de levantar! -saiu gritando.

Ele abriu a janela com um imenso sorriso no rosto, mas ao perceber que o dia tinha amanhecido chuvoso, ficou irritado instantâneamente.

_Eu odeio chuva! Saco! -reclamou.

Quando os outros acordaram, também ficaram descontentes com o tempo. Taylor levantou e colocou a mão para o lado de fora.

_Droga! Nossas últimas horas aqui e temos que aturar essa chuva...

Levantaram, se arrumaram e foram tomar café no andar de baixo. Jessica e Avery estavam sentadas à mesa comendo biscoitos quando eles chegaram.

_Meninos, mamãe está arrumando nossas coisas para voltarmos para casa, vocês têm que arrumar a de vocês antes do almoço. -disse Jessica

Depois do café, as meninas ligaram para casa e avisaram que em algumas horas estariam de volta ao Rio. Enquanto isso, os três rapazes retornaram ao quarto para arrumar coisas.

_Droga! Vou jogar tudo aqui dentro de qualquer jeito. Tudo amassado mesmo. Dane-se! -disse Zac arremessando algumas peças dentro da mala.

_É, mas deixe do lado de fora a roupa que vai usar para voltar, mongol. -disse Taylor, que sempre se preocupava com o que vestir.

_Depois que arrumarmos isso não teremos mais nada para fazer, vamos ter que ficar dentro de casa, um olhando para a cara do outro. -falou Isaac revoltado.

_Podemos ir até o salão de jogos.

_Que salão de jogos, Zac? -espantou-se Taylor.

_Aquele salão inacabado do subsolo. Será que não deu para você perceber que a casa ainda não acabou de ser construída?!?

_Eu sei disso.

_E então, vamos para o salão de jogos?

Desceram juntos para jogar sinuca e deixaram o quarto livre para as meninas. Assim, as três puderam arrumar as coisas e conversar em particular.

_Vou sentir muita falta disso. -falou Barbara.

_Só você? Eu vou morrer de tanta saudade! -falou Isabelle.

_Foi tão bom dormir no mesmo quarto que eles. -disse Sabrina colocando a última peça de roupa dentro da mala. _Pude escutar a respiração de Zac junto a minha. Nunca vou esquecer esses dias.

_Nem eu. Ontem foi tão bom... -Barbara estava suspirando.

_Barbara, Barbara... o que vocês ficaram fazendo depois que eu e Taylor subimos para o quarto?

_Bem, Isabelle, ficamos no sofá sob o efeito daquela cuba libre maldita que você nos deu, e o pior, Walker pegou nós dois no sofá hoje de manhã.

_Me conta essa história direito... -pediu Isabelle.

Depois da longa conversa, elas desceram para a sala. Como a chuva não havia parado, foram encontrar os Hanson no salão de jogos.

_Vamos tirar algumas fotos antes de irmos embora? -sugeriu Barbara com uma câmera na mão.

_Tudo bem, eu tiro as fotos! -falou Taylor.

_Não! -gritou Isabelle. _Você tem que sair na foto.

Tiraram fotos, brincaram, e implicaram um com o outro, até a hora que Diana apareceu chamando-os para comer. Havia uma imensa lasanha à bolonhesa para o almoço de despedida. A hora se aproximava.

Durante o almoço, Barbara, Isabelle e Sabrina não desgrudaram os olhos dos meninos. Queriam que a imagem daquele momento ficasse com elas para sempre. Tinham esquecido de que era para isso que serviam os pôsteres.

Quando deu 2 horas da tarde e a chuva finalmente havia passado, Walker começou a colocar as bagagens dentro do barco. Enquanto encarregava-se da parte chata, seus filhos foram se despedir daquele incrível lugar.

Sabrina e Zac retornaram à casa da árvore, lugar que tinha muito significado para eles.

_Sabrina, eu nunca vou me esquecer de você e dos momentos bons que passamos juntos. Muitas coisas deram errado, mas a gente deu certo...-ele sorriu. _Não quero acreditar que temos que nos separar... É uma pena ter encontrado o amor a minha vida num lugar tão distante.

_Nós sempre vamos estar juntos, estarei pensando em você o tempo todo, você estará sempre na minha mente.

_Você está em meu coração. -falou Zac segurando-se para não chorar. _Sempre que eu fizer uma música ela será para você, sempre que eu comer uma coisa gostosa estarei pensando em você...

Sabrina o interrompeu, estava chorando. Com as lágrimas caindo pelo rosto, ela o abraçou.

_Isso é tão injusto, Zac, você não pode ir embora. Tem muita coisa que ainda não fizemos juntos, muitas coisas que precisamos aprender juntos. Nós precisamos um do outro.

Zac começou a chorar, em seguida.

_Eu sei como dói, Bina, está doendo em mim também. Não gosto de perder as pessoas que amo.

Eles se abraçaram ainda mais forte, se pudessem, jamais se largariam.

Isaac e Barbara estavam caminhando pela orla do mar, como gostavam de fazer. Pararam ao avistar a rocha onde tinham feito amor, e Isaac, com lágrimas nos olhos, começou a falar, fazendo força para não chorar.

_Felizes são os peixes... Não existem oceanos que os impeçam de se encontrar, podem cruzar todos os mares, são livres...

_É, mas nós não somos peixes, temos oceanos nos separando, terra, muita distância... -ela fazia questão de manter os pés no chão. _Podemos nos encontrar nos nossos sonhos, é o único lugar no qual somos livres para fazer o que quiser.

Não conseguiram controlar a emoção, começaram a chorar ao mesmo tempo. Delicadamente, Isaac pegou nas mãos de Barbara e a beijou nos lábios. Em seguida, ele retirou o anel do dedo e falou:

_Isso é para você. Aceite.

Barbara pegou o presente. Agora seu rosto era uma mistura de lágrimas e sorrisos. Depois, retirou o seu anel do dedo.

_Não posso ficar com esse anel, não posso. O que você acha de jogarmos os dois juntos no mar?

Isaac ficou surpreso com a proposta, e ela continuou:

_Eles se perderiam por esse imenso mar, mas estariam sempre juntos, sem oceanos os impedindo de se encontrarem, seriam como os peixes... com esses anéis iria um pouquinho da gente, e então ficaríamos juntos para sempre.

Isaac pegou a mão dela novamente, segurou os dois anéis e foi em direção ao mar. Barbara o seguiu, escutando ele dizer:

_Vamos ficar juntos, não importa. Daqui a um tempo tenho certeza de que nos encontraremos novamente. Vamos contar, um para o outro, o que fizemos enquanto ficamos longe.

Barbara o abraçou, e num piscar de olhos viu os dois anéis de prata sumirem na imensidão o mar.

_Agora está feito. -ela disse. _Seremos um do outro, para sempre.

Eles se beijaram novamente, sentindo que a água do mar tocavam-lhe os pés, abençoando aquele momento.

Taylor e Isabelle foram até o campo de futebol. Andaram até o centro de mãos dadas, e lá pararam, um de frente para o outro. Taylor, segurando as duas mãos dela, falou:

_Diga para mim que não vamos nos separar.

_Temos que nos separar.

_Por que? Isso não deveria ser assim. Droga!

Taylor largou as mãos de Isabelle e tirou do pescoço o seu cordão, o mesmo que ela tinha recusado na noite em que se conheceram.

_Tem certeza de que não quer este presente? -ele estendeu a mão que segurava o cordão.

_Por que você insiste com isso?

_Insisto com o que? Eu não te entendo, estou tentando ser gentil... Quero que você aceite um presente meu. Quantas garotas morreriam por esse cordão, e eu quero dá-lo para você.

_Isso significa que...

Ele a silenciou, colocando o dedo indicador sobre os lábios de Isabelle

_...Isso significa que te amo e quero você.

Isabelle olhou calada para aqueles olhos azuis, e, de repente, começou a chorar. Taylor enxugou as lágrimas de sua amada.

_Não chore, não chore...

_Você está mentindo, não está?

_Por que você nunca acredita em mim? Estou sendo sincero, você me magoa agindo desse jeito. Acredite em mim, eu não seria capaz de te magoar. Eu quero você. A questão é: você também me quer?

_Claro que sim, seu tolo, te amo demais, vai, me dê esse seu cordão, ele estará em boas mãos. -Isabelle puxou o cordão das mãos dele e em seguida o beijou nos lábios. _Me promete uma coisa?

_Tudo o que você quiser.

_Não me esqueça.

_Não vou esquecer, não posso, você já faz parte de mim.

Isabelle emocionava-se cada vez mais com as palavras dele. Estavam se beijando, perdidos naquele momento, quando, de repente, Taylor sentiu alguém bater em sua perna.

_Mackie?

_Papai está chamando vocês.

Taylor pegou Mackenzie no colo e foi andando ao lado de Isabelle. Ao chegarem na parte da frente da casa, viram todos reunidos. Estavam apenas esperando por eles.

_Temos que ir. -falou Walker.

Despediram-se de Bill e Monica, agradeceram pelos bons momentos, e depois entraram no barco para seguirem o rumo de volta.

A viagem foi tranquila, apesar da ameaça de chuva. Ao chegarem no Rio de Janeiro, despediram-se antes mesmo de irem para o aeroporto. A choradeira foi inevitável, mas era assim que tinha que ser: dizer adeus e seguir a vida. Antes deles irem embora, trocaram endereços, telefones e emails.

Os Hanson estavam mesmo partindo para longe e nada poderia impedí-los. Depois daqueles dias maravilhosos, das conversas, dos beijos, da amizade, elas se perguntavam se tudo aquilo tinha mesmo acontecido. Será que tinha sido apenas um sonho? Não. Definitavamente, não.

No mês seguinte, as aulas recomeçaram. Quando não estavam estudado, estavam pensando em Isaac, Taylor e Zac. Em casa, elas aproveitavam para falar com eles pela internet. Estavam contentes, mesmo com a distância, não tinham perdido contato. Às vezes choravam, bastava lembrar das palavras de amor que as lágrimas surgiam. A saudade era muita, e mútua.

Em maio, quatro meses após o primeiro encontro, uma carta chegou para elas no endereço de Barbara. Combinaram um dia para lerem juntas. Dizia:

Tulsa, 15 de maio de 1999

Oi, Garotas,

Como vocês estão?Esperamos que estejam bem.

Resolvemos quebrar a impessoalidade dos emails e escrever uma carta. É sempre mais romântico...

Como vocês sabem, decidimos seguir com a turnê, para que nossos pais ficassem satisfeitos. Em junho faremos nosso último show, e então poderemos nos encontrar novamente. Não pensem que esquecemos de vocês porque isso não é verdade. Nosso coração não é de pedra. Não vemos a hora de encontrar vocês!

Desculpe-nos por não termos escrito mais cartas como esta, mas estivemos muito ocupados indo de um país para o outro. Sabemos que por email, muitas vezes não demos a atenção que vocês mereciam. Nossos pais estão mandando um abraço. Acreditem, eles também sentem falta. Sabem que estávamos muito mais felizes perto de vocês.

Escrevam para a gente. Estamos preparando uma surpresa :)

Com amor,

Isaac, Taylor e Zac

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