EpisÓdios
#027 | Desejo você aqui

No dia seguinte, pela manhã, os Hanson chegaram em Miami. Walker estava muito alegre. Apesar da revelação de Isaac no programa, mantinha-se otimista com o futuro da banda, e nada parecia preocupá-lo.
_Quem quer ir comigo comprar os ingressos para o jogo de amanhã? -perguntou Walker, indo em direção a porta.
_Eu vou com você, embora ache que não vamos encontrar ingressos disponíveis.
_Para que servem os cambistas, Ike? -perguntou Walker. _Vamos logo.
_Eu acho que sendo nós três, celebridades, e celebridades que quase foram chamadas para tocar no intervalo, deveríamos ter ganhado os ingressos, e não sair para disputá-los a tapa com pessoas normais.
_Zac, não viaja, estamos quase fora dos flashes e holofotes. -Taylor trouxe o irmão de volta à realidade. _E pai, parece que você está mais a fim de ir nesse jogo do que a gente.
_Não, eu só quero que vocês se divirtam! -disse, em seguida deixou o apartamento junto com Isaac.
No Brasil, trancada no quarto, Barbara continuava na mesma; muito triste, quieta, e nada a fazia sorrir. O bebê não era motivo de alegria, era apenas uma coisa a mais. Marília entrou trazendo o almoço, afinal, nem para almoçar ela deixava a cama.
_Fiz sua comida favorita!
_Não estou com fome. -respondeu, recusando o almoço.
_Você precisa comer, tem uma outra vida dentro de você. -disse Marília, colocando a bandeja em cima da mesa.
_Não precisa me lembrar.
_Barbara, o que está acontecendo com você? Continua triste por causa daquele menino? Eu avisei a você desde o início, ele vive em outro mundo, tire suas ilusões da cabeça, ele não vai mais te procurar. Agora é só você e o seu filho. Você não pode obrigá-lo a voltar, devia ter pensado nisso antes... Contente-se com o fato de que, pelo menos, ele vai te ajudar financeiramente.
_Eu não dou a mínima para o dinheiro dele, é ele quem eu quero! Ele podia ser um Zé Ninguém, mesmo assim eu ia continuar lutando por ele.
_Ia mesmo? -Marília não sentiu firmeza na voz da filha.
_Claro que sim, Isaac é tudo para mim!
_No início ele só era importante por causa do sobrenome Hanson!
_Quando eu era fã! Depois ele se tornou parte da minha vida! E você sabe muito bem que tudo é diferente agora!
_Eu sei que é tudo diferente agora... a sua vida, e a minha, de tabela, virou um inferno!
_E como está o caso da pílula? Vamos receber alguma indenização, ou não?
_O processo está todo encaminhado, mas você sabe que essas coisas demoram... Nossos advogados estão cuidando de tudo e acreditam que vamos ganhar um valor entre 450 mil e 1 milhão, por danos morais, e mais uma pensão mensal de 25 salários mínimos para o recém nascido, até ele completar 21 anos. Nada mal, não acha?
_Pelo menos isso está dando certo...
_Vai, Barbara, coma o seu almoço. -Marília trouxe a bandeja até a cama novamente. _E leve o prato para a cozinha quando acabar.
Barbara brincou com a comida e não comeu coisa alguma, não tinha vontade de mastigar, e nem de engolir. A única coisa que conseguia fazer, era ficar em sua cama deitada e deprimida. Duas grandes olheiras faziam parte do rosto dela, pois mesmo sentindo-se cansada, ela nunca dormia.
À noite, ainda de estômago vazio, Barbara se esforçava para manter-se acordada, afinal, a fraqueza estava consumindo-a. O corpo não estava mais aguentando noites sem dormir e dias sem comer, mas o programa de David letterman ia começar, e ela precisava ver o que as americanas tinham visto um dia antes.
Ao escutar "Got away", logo no início do programa, ela começou a chorar, especialmente porque aquela música tinha tudo a ver com o momento que estava vivendo. Pegou a Barbie que Isaac tinha dado a ela no dia do noivado, e disse para a boneca: "Traga-o de volta pra mim... Olhe para ele, como é bonito e perfeito." A idéia que ela tinha em mente sobre a perfeição dele, logo foi embora, quando ela escutou Isaac dizer que não estava mais namorando. "Vá para o inferno, seu estúpido!", ela gritou. Num misto de choro e gritos, ela arremessou a Barbie na tv. "Escroto, eu te odeio!", disse, olhando para a tela. "Quem você pensa que é para me tratar desse jeito? Eu te odeio!"
Barbara, sozinha em casa, podia chorar e gritar à vontade. Após xingar Isaac, ela desligou a tv, e com raiva, começou a arremessar seus bichos de pelúcia, cds e tudo que via pela frente.
Sabrina, que também tinha visto o programa, preocupada com o efeito da declaração de Isaac, resolveu ligar para a amiga. Ao primeiro toque, Barbara correu para atender, pensando que pudesse ser Isaac.
_Alô?
_Barbara, você está chorando? -perguntou Sabrina, preocupada.
_Você viu o que o Isaac disse? Ele não me quer mais! Sabrina, todos diziam que ele estava mentindo quando dizia que não me queria, mas quem mentiu foram vocês. Ike sempre esteve certo sobre isso, ele não gosta mais de mim.
_Pare de chorar, fique calma. Ele chorou enquanto tocava "Got away"... O que você me diz sobre aquilo? Óbvio que o Isaac gosta de você! -Sabrina disse para tranquilizá-la.
_Não, eu ouvi bem, ele disse que está solteiro. É claro que ele não gosta mais de mim. Eu preciso encarar os fatos. Já perdi a esperanças, ele não vai me procurar... ele nem me ligou!
_Ai, Barbara, eu nem sei o que dizer... -ela não sabia mesmo.
_Não diga nada, a verdade eu já conheço. Tomei uma decisão: Eu não quero esse bebê.
_Não diga isso!!!
_Digo sim. O Ike não quer saber de nada, e se ele não quer, eu não tenho motivo para continuar com isso. Estou sofrendo por uma coisa que não vai acontecer, Ike não vai voltar... -Barbara estava tão nervosa que parecia que ia explodir.
_Sua mãe está aí, Barbara? Posso falar com ela?
_Ela não está, saiu com meu pai.
_Você está bem?
_Eu pareço estar bem? Claro que não estou bem! -falou soluçando. _Como poderia estar bem? Todas as fãs do Ike devem estar felizes, mas eu não!
_Barbara, tente se acalmar, não adianta ficar chorando.
_Se ao menos eu conseguisse falar com o Taylor, eu podia pedir para ele conversar com o Isaac...
_Não ia adiantar, eles não estão se falando. Lembra?
_Merda! Ike pensa que ele é o centro do universo e que todas as coisas giram em torno dele. Por que diabos ele não nos perdoa logo?
_Ele está decidido a não fazer isso.
_E eu estou decidida a acabar com o filhinho dele!!! -ela soluçava.
_Esse filhinho é seu também. Pare e pense.
_Eu não vou carregar essa criança por 9 meses, e depois pelo resto da vida, sem o Isaac ao meu lado. Sinto muito por ele, mas é isso que vou fazer.
_Por que você não tenta conversar com ele primeiro?
_E não é isso o que eu venho tentando fazer? Pedi para ele me ligar, mas ele não ligou... Simplesmente porque não quer falar comigo! E não vou mandar um e-mail para tratar de um assunto delicado como esse.
_Eu nem sei o que dizer, você é cabeça dura.
_Eu vou desligar, Bina. Eu quero ficar sozinha, vou tentar me acalmar e pensar no que fazer. Tchau amiga, reze por mim.
_Pode deixar. Tchau, Barbara, tente ficar bem.
Barbara pegou uma foto de Isaac e ficou olhando, calada, enquanto uma lágrima caía sobre o papel.
"Desculpe, Ike, mas eu vou ter que fazer isso. Eu ainda te amo, e é uma pena que você não sinta mais o mesmo por mim. Seu filho não tem culpa, nosso filho, mas eu vou ter que fazer isso. Você está longe, não me procura, não me ama... Todas as coisas que você comprou para esse bebê, vão virar lembrança de algo que nunca existiu. Você nunca sentiu nada, nunca chegou perto para saber o que eu estou sentindo com essa coisinha dentro de mim... Isso nunca vai ser bom sem você por perto. Desculpe, Ike."
Barbara amassou a foto e levou para o banheiro. Ainda chorando, abriu a gaveta do armário da pia, e escolheu um frasco de remédio. "Não tomar em caso de gravidez", leu na bula.
_É isso.
Pegou vários comprimidos e engoliu um atrás do outro. Aos poucos, foi ficando sonolenta, e sentiu seu corpo pesar de vez, até que caiu sobre o chão frio do banheiro.
Quando seus pais chegaram, às 3 da manhã, encontraram Barbara caída no chão, com a foto amassada em uma das mãos, e na outra, o frasco do remédio praticamante vazio. Marília começou a gritar, achando que a filha estava morta. Chamaram uma ambulância, e, em pouco tempo, estavam num hospital perto de casa.
Enquanto isso, em Miami, Isaac, sentado no chão da sala, olhava para o nada, perdido em seus pensamentos. Levantou, foi até a janela, e ficou olhando para uma única estrela que brilhava no céu. Fechou os olhos para ver a escuridão, e depois sentou no chão novamente. Tirou do bolso um pequeno bloco, uma caneta, e começou a escrever.
If you are in pain
don't worry
you're note the only one
let`s end up with
walking straight ahead
we'll find the solutions
I love you like no one has done before
I love as much as I hate you
my head doesn't want you anymore
but my heart keeps loving you
I've make my eyes learn
not to cry for you anymore
but my heart is dumb
and cries more then a ocean
you are for me
like a fish to the sea
I can't live without you
but you have to live without me
it will not be forever
'cause you're the only one for me
I want to think about the past
'cause i know out love was the best
but there are some things I remember
I would like to forget
I remember how I liked to stay close to you
I said I wanted you forever
but when I found out the 'other feeling'
I just didn't want you anymore
I just wanted to stay alone
to look at the star and sit in a bone
watch the clouds, stay in the rain
'cause I discovered the love is vain
Zac, sonolento, apareceu na sala e viu Isaac escrevendo.
_O que você está fazendo? -perguntou Zac, sentando ao lado do irmão.
_Estava escrevendo umas coisas.
_Uma música?
_Não exatamente, estava só descarregando meus sentimentos no papel... são apenas minhas emoções.
_Isaac, você é tão duro com você mesmo... Nunca vai aprender.
_Não sei, Zac, estou com uma sensação estranha dentro de mim, parece que algo morreu aqui dentro.
_Seu amor por Barbara? Foi isso que morreu?
_Não, eu ainda a amo.
_Você disse ontem no programa que não estava mais com ela...
_E não estou, mas isso não impede que eu a ame.
_Eu não entendo... O que morreu dentro de você então?
_Eu não sei, olhei para o céu, vi uma única estrela naquela imensidão... Sinto-me como ela; sozinho, perdido, sem rumo... chega a me sufocar.
_Por que não liga para a Barbara e volta para ela? Você tem que perdoá-la, é isso que está te sufocando.
_Isso é complicado, Zac. O problema não é só com ela, é com o Taylor também. Terei que perdoar os dois, e não tenho vontade alguma de perdoar Taylor. Toda vez que o vejo, tenho vontade de matá-lo pelo que fez comigo. Ele transou com a minha namorada e isso é imperdoável.
_Ike, não vamos voltar com esse assunto. Eu já te disse mil vezes o que eu penso sobre isso. Barbara está triste e precisa de você. Acho que você deve procurá-la, mesmo que seja só por causa do bebê... Posso estar errado, mas acho que Barbara vai acabar pirando.
_Barbara é forte, ela pode aguentar.
_Você que pensa, as mulheres são frágeis, todas elas.
_Eu vou ligar para ela, farei isso amanhã ou depois.
_Você sempre diz isso e nunca cumpre, chego a pensar que você tem medo de ligar para ela porque vai ter vontade de dizer que ainda a ama e a quer. Estou certo, não estou?
_Não. -Isaac foi convicto.
_Me dê essa coisa que você escreveu. -Zac pegou o bloco da mão dele.
No hospital, depois de uma lavagem estomacal e vários exames para saber se tinha ocorrido algum problema com o feto, Barbara continuou dormindo por um bom tempo. Quando acordou, tomou um susto ao se dar conta de onde estava. Só ficou mais calma quando viu a mãe no quarto.
_O que aconteceu, mãe?
_Você tentou se matar, ou matar o bebê. Tomou um vidro inteiro de remédio. Está tudo bem agora, seu filho está fora de perigo. Sei que está cansada, mas quero saber... Por que você fez isso? Eu vi uma foto do tal Hanson na sua mão...
_Eu quero falar com ele, mãe. -ela começou a chorar. _Traga-o para mim. Não me pergunte mais nada, apenas traga-o para mim.
_Como? Como vou achá-lo?
_Eu não sei, mãe, mas por favor, traga-o aqui. Eu não estou mais aguentando. Por favor. -ela insistia, chorando.
_Calma, não chore. Me diga o que posso fazer, vou procurar esse menino para você... mas Barbara, ele é muito imaturo... -Marilia ia começar seu discurso anti-Isaac novamente.
_Não o critique agora, apenas procure-o. Ligue para a Sabrina, fale para ela que se Zac ligar, é para ele pedir para o Ike me ligar... diga que é urgente, mas não conte o que aconteceu.
_Vou ligar para a Sabrina, pode deixar.
Marília tinha dito aquilo para tranquilizar a filha, mas não ia avisar a Isaac coisa alguma. Queria que Barbara se afastasse dele de vez, mesmo que isso doesse. Ela simplesmente não gostava de Isaac, e tinha toda razão do mundo para isso.
Em Miami, Isaac estava novamente sozinho. Olhou o relógio, que marcava 5 da manhã, e pegou o telefone celular em cima de sua mala. Sabia que era muito cedo no Brasil, mas sentia que precisava ligar naquela hora, e não hesitou em discar os números. O telefone tocou durante muito tempo na casa de Barbara, mas ninguém atendeu. Isaac desligou, deitou no chão, e em seguida adormeceu.
Barbara voltou para casa na hora do almoço e foi descansar. Pegou o telefone, ligou para Sabrina, e contou tudo o que tinha acontecido. Sabrina deu uma bronca na amiga e prometeu tentar entrar em contato com Isaac.
_Viu, Barbara, você tentou matar o seu filho, mas ele continua dentro de você. Isso é um sinal de que tudo ficará bem e que você não deve mudar o destino.
_Admito que falhei da primeira vez, devia ter sido mais inteligente.
_Cale a boca, você nunca mais vai tentar algo como isso, não vai existir uma segunda vez! Esse filho está dentro de você, aceite isso!
_Tudo depende do Isaac, depois que ele ligar, eu decido.
_Burra! Só te xingando! Você acabou de passar por um trauma e já quer outro!
_Eu não quero nada! Eu quero o Isaac! Daqui a uma semana completarei dois meses de gravidez, e nesse tempo todo, a última vez que vi o Isaac foi quando fizemos o teste de paternidade. Ele sumiu! Sou capaz de dar um prêmio para quem o trouxer para mim. Eu amo demais esse menino, não consigo parar de amá-lo. Ele me faz sofrer, eu sei, mas mesmo assim o amo. Essas coisas do coração ninguém pode mudar.
_Barbara, eu vou desligar para começar a caçar os meninos. Eles estão em Miami, vou tentar o celular do Walker.
_Me dê o maldito número e eu ligo.
_Não, Barbara, deixa eu ligar, você vai se exceder, e sei que você tem que ficar de repouso.
_Me dê o número!!! -ela gritou nervosa. _Eu preciso falar com o Isaac agora!!!
_Anote. -Sabrina se deu por vencida.
Sabrina deu o número, mas ficou se perguntando se tinha feito o certo. Não sabia se Isaac ia querer falar com a amiga, e se ele não quisesse, ia machucá-la ainda mais.
O telefone celular de Walker tocou em Miami, e foi Isaac quem atendeu.
_Isaac???
Isaac sorriu ao ouvir a voz de Barbara.
_Barbara?
_Tudo bem com você? -foi seca.
_Sim, eu estou bem, ando um pouco ocupado... E você?
_Não estou tão bem assim.
_Algo de errado com o bebê?
A pergunta deixou Barbara profundamente irritada.
_Eu disse que EU não estou bem, o bebê está ótimo! Estive no hospital ontem à noite, voltei para casa hoje.
_Hospital?!? Tentei te ligar essa manhã, deve ter sido por isso que ninguém atendeu. O que aconteceu?
_Você... você me fez cometer uma loucura.
_Eu??? Não brinque comigo. O que aconteceu?
_Ouvi o que você disse no David Letterman e não suportei. Ike, como você pôde dizer aquilo?
_O que a minha declaração tem a ver com o fato de você ter ido para o hospital?
_Tudo. Eu ouvi você dizer que não me queria mais, e somei isso ao fato de que você não me procurava mais... Eu estava em depressão, sem comer, sozinha em casa e... e... tomei um vidro inteiro de remédio.
_Meu Deus! Você é louca??? Podia ter se matado, matado a criança! -Isaac ficou furioso. _Era essa a sua intenção?
"Sim" era a resposta, mas Barbara não confirmou.
_Eu estava fora de mim, senti raiva de você, de tudo... Eu ainda te amo! -ela disse por impulso, e ficou esperando a reação dele.
Isaac fechou os olhos e pensou em algo para dizer. Queria poder dizer o mesmo, mas não conseguiu.
_Promete uma coisa, Barbara?
_Depende.
_Nunca mais tente fazer uma coisa dessas, nunca mais, ouviu? Tem uma parte de mim dentro de você!
_Você só liga para esse estúpido bebê! E sobre mim??? Nada? Ike, eu detesto ter que te dizer isso, mas eu preciso de você, eu não estou mais aguentando ficar longe de você... Tente ver as coisas pelo meu lado. Você acha que se isso não fosse importante para mim eu estaria me humilhando? Diga que me ama e que vai ficar comigo! -Ela estava chorando.
_Não posso.
_Sim, você pode.
_Não, desculpe-me. Quando eu puder, vou até aí levar as coisas que comprei para o bebê. Vou te visitar.
_Vá para o inferno com suas coisinhas de bebê!!! Eu quero você, Ike. Olhe o que você fez com a minha vida! Eu não consigo mais comer, dormir... tudo é um inferno!
_E olhe o que você fez com a minha vida!!! Não me venha falar de inferno!
_Não se compara! E você sabe que não fiz aquilo de propósito... mas tudo bem, Ike, eu não vou insistir. Fique com o seu orgulho! Eu vou guiar minha vida do jeito que eu achar melhor, mas veja bem e pense direito, porque se você decidir voltar atrás, poderá ser tarde demais. Não é fácil escutar da sua boca que não me quer, mas se essa for a verdade, terei que aceitar... Antes de desligar, eu queria te fazer uma última pergunta. Posso?
_Pode.
_Você me ama?
Isaac engoliu a pergunta e não respondeu, e deixou claro, pelo seu silêncio, que ainda a amava.
_Tenho que desligar, ligarei qualquer dia para saber novidades. Tchau, Barbara.
Ao desligar o telefone, Barbara teve outra crise de choro. O sofrimento da noite anterior estava muito recente, e ela acabara de ter outra decepção. E não foi somente Barbara que acabou em lágrimas, Isaac também chorou ao fim da conversa. Trancou-se em um dos cômodos vazios do apartamento, e lamentou por mais uma vez não ter sido forte o suficiente para admitir que queria voltar para a ex. Chorou porque queria estar com ela, chorou por se sentir estúpido. Sabia que estava fazendo Barbara sofrer.
Em outro canto do apartamento, alheios à tristeza do irmão, Zac e Taylor conversavam:
_Tay, você está me surpreendendo. Até agora não foi procurar Isabelle. -disse, sacaneando.
_Qual o problema? Da última vez fui expelido de lá, e não vou correr o risco de passar por aquilo de novo.
_Bem feito! -Zac riu. _Você não tinha nada que ter ido procurá-la. Você é muito idiota, Taylor!
_Não se meta, ok? Você não sabe de nada, meu relacionamento com a Isabelle sempre foi meio estranho.
_Estranho é sexo de elefante! -falou Zac.
_Cala a boca, pirralho, não quero escutar detalhes da sua vida sexual! -Taylor riu dele.
_Ei, você está me chamando de elefante? Olhe para as suas orelhas! -gritou Zac, gargalhando.
_Levante seu cabelo e olhe as suas também!
_Ahhhhhhhhhhh! Cale-se, Taylor!!!
_Que horas é o jogo?
_Eu disse para você calar a boca!!! -Zac respondeu gritando, e rindo.
_Anda, garoto! Vai, me diga que horas é o jogo?
_Às 7 da noite, mas devemos chegar um pouco antes.
A campainha tocou, e Zac correu para antender. Era Walker e o resto da família, que ele tinha ido buscar no aeroporto.
_Mãeeeeeeeee... que saudadeee!!! -Zac a abraçou.
Taylor falou com os irmãos e cumprimentou a mãe. Diana, notando a ausência do filho mais velho, perguntou:
_Meninos, onde está o Ike?
_Está num desses quartos. -respondeu Zac. _Cuidado hein, mãe, é a primeira vez que você vem aqui, pode se perder nesse labirinto.
Diana encontrou um dos cômodos fechado. Bateu à porta e perguntou sorridente:
_Posso entrar?
_Mãe? -Isaac perguntou, enxugando as lágrimas. _Você já chegou... Entre.
Diana percebeu que Isaac estava chorando, e o sorriso logo sumiu do rosto. Ela foi até ele e o abraçou.
_Ike, você está chorando... O que aconteceu? Barbara de novo?
_O que mais poderia ser? Estou muito triste, mãe... Barbara tentou matar nosso filho, ela tomou um vidro inteiro de remédio...
_Meu Deus! Como ela está?
_Ela e o bebê estão bem, graças a Deus!
_Você falou com ela? Me conte toda essa história.
Isaac contou tudo que sabia, e depois, deu ouvidos ao que a mãe tinha a dizer.
_Querido, quando eu vi sua declaração no programa de David Letterman, eu sabia que Barbara ia pirar. Você não devia ter dito aquilo, já que não era o que você realmente estava sentindo. E também não devia ter dito as coisas que você disse pelo telefone. Pense: Ela pode ter outro ataque e tomar mais remédios. Não deixe Barbara fazer isso. Você será culpado caso algo mais sério aconteça. Sabe por quê? Porque você está mentindo para ela.
_O que eu devo fazer?
_Contar a verdade e voltar para ela. Pense sobre isso. Promete?
_Prometo, mãe.
_Seu pai me contou do jogo... Vá se arrumar, é melhor não saírem tarde daqui. Vai ser bom você ir até lá e arejar a mente.
_Obrigado por tudo, mãe.
_De nada, meu filho, eu te amo.
PRÓXIMO >>
|