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#023 | Final de semana em Miami

No dia seguinte, pela manhã, Isaac, Taylor e Zac foram para Miami. Seguindo as indicações de seus pais, conseguiram achar o apartamento novo. O Prédio ficava numa boa área da cidade, e pela construção externa, parecia ser imenso.

_É no último andar? -perguntou Zac.

_Não é no último andar, é o último andar! -frisou Isaac. _Todo o último andar é nosso. Um apartamento por andar, e a cobertura é nossa também, é duplex.

_Uau! -gritou Zac. _Estacione logo o carro, quero subir e ver com meus próprios olhos!

_Não sei porquê o papai resolveu gastar essa grana agora, achei totalmente desnecessário. -comentou Taylor.

_É investimento, mongol! Um apartamento desses vale muito, vai render uma boa grana depois.

_Sim, Zac, perfeito para você que é um megalomaníaco! Você só quer saber de luxo e coisas caras. Lembre-se de que o nosso álbum remix não está vendendo bem, não é hora de gastar! -disse Isaac.

_Culpa sua! Não fui eu que não quis gravar o novo álbum, foi você. Culpa sua e do Taylor!

_Cale a boca, Zac! -brigou Taylor. _Ande, vamos saltar do carro e subir.

Isaac abriu a porta do apartamento e acendeu as luzes. Depararam-se com a sala de estar, e o tamanho do ambiente fez com que ficassem de boca aberta, era imensa. Estava sem móvel algum e cheirava a tinta fresca.

_Putz, isso é demais! -gritou Zac. _Olhem só quanto espaço, dá para andar de patins aqui dentro! E faz eco!

_Papai disse que era grande, mas isso aqui é imenso! -disse Taylor. _Vamos ver os outros cômodos...

Andaram por todo o apartamento, explorando cada canto, e ficaram impressionados com o tamanho daquilo.

_É uma pena a piscina não estar cheia... Mamãe devia se mudar com a gente para cá. -comentou Zac.

_Ficaria bem perto de onde Isabelle está morando... -Taylor sorriu.

_Vocês são muito sonhadores e irracionais. Quem é que vai querer se mudar de Tulsa para cá? Essa cidade é uma merda, e esse apartamento eu aposto que nunca vai se habitado... papai gastou dinheiro à toa. Em Tulsa temos um quintal e uma vizinhança confiável.

_Ike, você é muito escroto e estraga prazer! -reclamou Zac. _Que horas são, Tay?

_Hora do almoço. Meu estômago está roncando. O que vamos comer? -perguntou Taylor, com a mão na barriga.

_Vamos ao shopping e lá decidimos. -sugeriu Zac.

_Ok, vamos ao shopping então. Eu quero fazer umas compras. -disse Isaac, olhando o relógio e constatando que já eram 2 da tarde. _Vamos logo.

_Eu não estou muito a fim de ir, vão vocês dois. Eu vou ficar aqui arrumando os colchonetes, depois vou na rua e como qualquer coisa aqui perto.

_Vê lá se não vai fugir e procurar Isabelle! -Zac o advertiu.

_Não vou sair daqui, só vou procurá-la à noite.

_Não apronte, Taylor! Eu, infelizmente, estou tomando conta de você. -disse Isaac.

_Fique tranquilo, não vou fazer nada... nem tv tem nessa casa!

Isaac jogou as chaves do apartamento para Taylor.

_Fique acordado, não cochile depois do almoço para poder abrir porta para a gente.

Assim que chegaram ao shopping, foram direto para a praça de alimentação. Zac sentou numa mesa e ficou aguardando Isaac voltar com os lanches. Ao ver o irmão se aproximar com os sanduíches, Zac sentiu a boca salivar.

_Me dê logo o meu Big Mac! -falou Zac, lambendo os lábios e pegando o saco com os sanduíches.

_Olhe bem a caixinha, o meu é especial, sem pickles.

_Você é fresco, Ike, e chato, pediu sem pickles só para demorar mais... Quando a Barbara acordar no meio da madrugada com desejo de comer pickles você vai lembrar do dia de hoje: O dia que você desperdiçou o pickles! -Zac riu.

_Quando a Barbara acordar no meio da madrugada com desejo, eu não vou estar lá.

_Ihhhh, então seu filho vai nascer com cara de pickles... ou então não, quem sabe Barbara não arruma outra pessoa para dar pickles para ela... -Zac queria de qualquer jeito fazer com que Isaac voltasse para Barbara.

_Cale a boca e pare de falar de pickles!

_Isaac, não é exatamente de pickles que estamos falando, você é que não pegou a idéia!

_Zac?

_O quê?

_Definitivamente, cale a boca!

_Grosso! -Zac mordeu o sanduíche. _Ike, porque nenhuma pessoa veio falar com a gente? Poxa, tem dois Hanson aqui e ninguém veio nos bajular. -perguntou de boca cheia.

_Talvez não queiram nos incomodar, ou então, é por causa do fracasso do cd remix. Eu sabia que lançar uma coisa meio dance music não ia dar certo.

_Então porque ao invés de concordar com o lançamento, não fez o favor de gravar um cd novo comigo e com o Tay?

_Eu não tinha condições emocionais para isso.

_E agora, você tem? Ainda dá tempo de entrarmos em estúdio para tentar melhorar a nossa situação. Estamos desaparecendo...

_Ainda não estou bem, não posso gravar com Taylor e discutir música com ele.

_Mas, Ike, na hora de gravar e tocar, esqueça os problemas e tenha uma atitude somente profissional. Você pode fazer isso.

_Ah, é? E quando formos a um programa e perguntarem pela milésima vez se nos damos bem? Vou dizer o quê? Não vou conseguir mentir.

_Já mentimos muitas vezes, não vai ser diferente dessa vez.

_Tá bom. Vou reavaliar se devo ou não fazer o novo cd agora. Precisamos conversar com o papai e com os produtores.

Isaac e Zac jogaram fora os copos e caixas descartáveis e foram às compras.

Taylor continuava no apartamento. Já tinha arrumado os colchonetes onde iam dormir, e também já tinha almoçado. Sem ter o que fazer, decidiu ir até o shopping comprar algo para Isabelle. Seria delicado levar alguma coisa para ela mais tarde. Trancou a porta e saiu.

Zac e Isaac foram parados por duas fãs, que solicitaram 2 minutos de conversa e autógrafos. Perguntaram por Taylor e os motivos de terem lançado um cd remix. Inventaram uma desculpa qualquer e depois seguiram sem rumo pelos corredores do shopping. E foi então que Isaac viu, parou, e deixou-se hipnotizar por uma vitrine toda decorada com coisas brancas. Era uma loja especializada em roupas para bebês.

_O que acha daquele macacão, Zac? -perguntou Isaac, apontando para um lindo macacãozinho que vestia um manequim na vitrine.

_Bonito. Por quê? Está pensando em comprar?

_Estou. É branco, sem muitos detalhes, serve tanto para meninas quanto para meninos.

_Hmmmm, Ike... papaiiii. -Zac brincou e sorriu, dando tapinhas nas costas do irmão. _Vai entrar na loja?

_Vou, claro. Mas espera aí! Será que a vendedora não vai estranhar Isaac Hanson comprando roupas de bebê? Ela pode desconfiar...

_Se perguntarem, diga que é para o novo bebê da mamãe... inventa!

_Mamãe não está grávida!

_Eu sei, eu disse para inventar!

_Ok. Vamos entrar logo.

Isaac era só sorrisos, os olhos brilhavam. Ele, que tinha entrado na loja para comprar apenas 1 macacão, comprou vários deles, de modelos diferentes, tudo branquinho. Se Zac não tivesse impedido, ele teria comprado muito mais. "Deixe sapatinhos e mamadeiras para outra ocasião!"

_Zac, será que vai caber no bebê?

_Claro que vai, não se preocupe com isso. Quando é que você vai dar para Barbara todas essas coisas que comprou?

_Não vou dar, isso é para o meu filho.

_Ah, tá, e você acha que ele vai se vestir sozinho? -Zac debochou.

_Depois eu penso nisso... Olha que lindo aquele carrinho de bebê... -disse Isaac, indo em direção a outra vitrine.

Zac estava enjoado daquilo tudo. "Ike é tão bobo", ele pensava. E seguiu o irmão, ao vê-lo entrar em outra loja, todo contente. "Pelo menos está feliz com a novidade." Enquanto divagava sobre o comportamento de Isaac, viu alguém parecido com Taylor passar do lado de fora da loja.

_Ike, espere aqui, acho que vi o Taylor!

Zac correu até ele e o puxou pelo braço.

_O que está fazendo aqui? Falamos para ficar em casa! -deu bronca.

_Decidi comprar um presentinho para a Belle.

_E comprou?

_Sim. Escolhi uma caixinha de música italiana... Tem corações desenhados na parte de cima. Acha que ela vai gostar?

_Acho que não. -disse.

_Porra, Zac! Você só fala "não"?

_Desculpe pela sinceridade, Tay, esse é o meu forte. Venha, Ike está naquela loja. -disse, apontando para outra loja de bebês.

_Não acredito, ele já está completamente apaixonado pelo filho... Que demais! Não vou até lá, não quero estragar a felicidade dele, vá você, vou esperar aqui fora.

_Tá bom, mas não suma. Eu tenho que impedir o Ike de comprar a loja inteira!

Alguns minutos depois, saíram cheios de caixas e sacolas. Isaac tinha comprado um carrinho verde, de tom pastel, bichos de pelúcia, mamadeiras e outras coisas. Zac olhou para Taylor e disse:

_Não deu tempo de impedi-lo. -riu.

Isaac pediu ajuda para carregar as compras e seguiram para o estacionamento. No caminho de volta para casa, Zac foi implicando com Isaac.

_Vou ligar para a Barbara e contar que você comprou um monte de coisas!

_Não conte, eu quero contar.

_Uau! Você quer falar com a Barbara? Você disse isso??? Deve estar com febre...

_Zac, ela é a mãe do meu filho, tenho que falar com ela de vez em quando.

_De vez em quando não, sempre!

_De vez em quando e não se fala mais nisso.

Taylor nem ousou se meter na conversa dos dois, sabia que Isaac estava tolerando a presença dele, mas que não estava, de verdade, gostando de ter que passar o fim de semana em sua companhia.

Sem saber qual era o melhor momento para pedir o carro para ir até o alojamento, resolveu tentar de uma vez.

_Ike, posso usar o carro para ver Isabelle logo mais?

_Pode, mas não corra, não beba, e principalmente; não chegue tarde! Miami é perigosa, não é para você ficar andando por aí sozinho.

_Pode deixar, vou voltar cedo... até porque, não acho que Isabelle vai querer me ver.

Ao chegar em casa, Taylor foi direto para o banho. Depois, colocou uma calça camuflada, bota preta, camiseta branca e, em seguida, saiu carregando o presente de Isabelle. Antes que pegasse o elevador, Zac abriu a porta do apartamento e falou para o irmão:

_Tay, parece que você está indo para a guerra. Não quer um pouquinho de tinta preta para camuflar o rosto? -riu.

_Eu estou indo para a guerra. Espero que não volte mais ferido do que já estou, essa é um missão muito importante.

_Isso foi profundo, Tay, me tocou... -riu de novo.

_Torce por mim?

_Vou torcer. Seja romântico, Tay, cante para ela.

_Não vou cantar coisa alguma.

Zac voltou para dentro do apartamento e foi falar com Isaac, que estava deitado num colchonete no chão daquela sala vazia.

_Acho que você exagerou no número de coisas que comprou...

_Quero que meu filho tenha tudo do bom e do melhor. -disse, olhando para uma chupeta. _Você acha que vai ser menino ou menina? Comprei tudo branquinho porque eu não sei... vou comprar tudo sempre branco, cor da paz.

_Paz! Isso é tudo que você e Barbara precisam.

_Zac, pare com essa sua mania de querer fazer com que eu volte para a Barbara, isso não está funcionando! -disse chateado. _Vai, me responda: Menino ou menina?

_Muito cedo para julgar.

_Não disse que é para acertar, apenas dê um palpite. -insistiu, com os olhos brilhando.

_Não posso dizer se vai ser homem ou mulher, nos dias de hoje é ele quem vai decidir.

Riram juntos da piada e, de repente, Zac ficou sério.

_Sabe o que acabou de passar pela minha cabeça?

_O que, Zac?

_De tanto você chamar Taylor de gay, ele acabou transando com a sua noiva... talvez tenha sido um ato inconsciente, só para te provar que é homem.

_Ato inconsciente? Sei... Zac, o que você ganha fazendo-me lembrar disso? -perguntou Isaac, triste novamente.

_Desculpe, não era minha intenção.

_Eu sei que não foi, Zac...Você é um amigão, o melhor que já tive. -ficou calado e depois disse: _Zac, preciso ligar para Barbara e avisar sobre as coisas que comprei, assim ela não compra tudo em dobro. Vou fazer isso assim que voltar para Tulsa.

_Hmmm, desculpa para ligar e escutar sua voz doce. -Zac implicou.

_Você é tão irritante... Meu melhor amigo irritante. -tocou a mão do irmão.

Taylor chegou ao alojamento da universidade, parou o carro, e ficou olhando pela janela as luzes acesas dos apartamentos. Saltou carregando o presente, e entrou no prédio. Subiu as escadas que levavam ao segundo andar e parou em frente ao quarto de Isabelle. Respirou fundo, ajeitou o cabelo e finalmente bateu à porta.

_Quem será a uma hora dessas? -se perguntou April. _Está esperando alguém, Isabelle? -perguntou gritando.

_Não! -gritou Isabelle, que estava no banho.

_Ah, deve ser a nossa vizinha, ela ficou de nos trazer um pudim.

April, que estava de camisola, pronta para se aconchegar em sua cama, abriu a porta e deu de cara com Taylor.

_Ahhhhhhhhhhhhhh! -ela gritou e fechou a porta na cara dele.

Isabelle estranhou os gritos e perguntou em voz alta :

_O que foi, April? Aconteceu algo?

_Taylor Hanson está aqui! Ele me viu de camisola. Que mico!

_Não abra a porta! -gritou Isabelle.

_Só se eu fosse maluca eu não abriria. Taylor Hanson está aqui, quer entrar no meu quarto, e eu não vou abrir? Só se eu fosse maluca demais. Quer que eu diga que você não está?

_Não! Eu já vou sair daqui. Abra a porta e deixe-o entrar. -cedeu.

_Espere um minuto, Taylor. -April falou alto, para que ele escutasse do lado de fora. Rapidamente trocou de roupa e tirou um poster do rosto dele da parede.

April abriu a porta, e deu um grande sorriso ao ver Taylor, lindo e cheiroso, bem diante dos seus olhos. Pensava no quão inusitada era aquela situação. Ela nunca tinha ido a um show do Hanson, e, de repente, ele aparece no seu quarto no alojamento da universidade. Era realmente estranho, mas ela sabia que se não fosse por Isabelle, isso jamais teria acontecido.

_Oi. -disse sorrindo. _Nunca imaginei que fosse te encontrar...

Taylor estendeu a mão para ela.

_Muito prazer.

_É todo meu. Desculpe por ter batido a porta na sua cara, e desculpe-me também pelo grito, aquilo foi um colapso.

_Sem problemas, eu já estou acostumado com isso. -soou convencido. _A Isabelle está? Quero dizer, esse é o quarto da Isabelle?

_Sim, e ela está... tomando banho. Sente-se.

O ambiente ficou em silêncio, e para quebrar o gelo, April disse:

_Nossa, está tão quente aqui! -ela se abanou. Estava se insinuando para ele.

_É, esse quarto é pequeno demais. -disse cortando as intenções dela.

_Cadê o seus irmãos?

_Estão em casa.

_Legal... Em Tulsa?

_Não. Eles estão aqui em Miami. Compramos um apartamento novo.

_Que legal! Quer dizer que vocês vão passar a vir mais aqui?

_De certa forma sim. Mas e então; você é de onde?

_Noruega.

_Legal!

_Legal nada, vocês nunca foram tocar no meu país. Por quê?

_É difícil explicar, mas não fique chateada.

_Eu ficava chateada antigamente, mas não mais... Bem, agora eu estou diante de você.

_Fico feliz em escutar isso, mas não mereço tanto. De qualquer forma, obrigado.

_De nada. Você pode autografar o meu cd?

_Claro. O cd remix?

_Não exatamente. Eu não tenho o cd remix. Ainda não comprei... Aliás, porque mudaram de idéia e não fizeram um cd de verdade?

_É uma longa história, não vale à pena contar para as fãs.

April pensou: "Nunca vale à pena contar para as fãs o que realmente acontece com vocês." Ficou brava por um breve momento.

_Vamos esperar a Belle sair do banho, e então vou pedir para ela tirar umas fotos nossas. Tudo bem?

_Sem problemas.

_Você devia ter trazido seus irmãos.

_Eu vim ter uma conversa particular com a Isabelle. -disse, deixando claro que não ia querer a presença dela. _Vá lá em casa qualquer dia desses, assim você poderá conhecê-los. -Taylor queria usar April como isca para levar Isabelle até sua nova casa.

_Oba, vou sim! Pode deixar... quero dizer, se a Belle quiser ir, eu irei também. Ai, nem vejo a hora de ver Isaac e Zac! -April soava como uma típica fã obcecada.

_Por que você disse "se Belle quiser"?

_Ela é a única que pode me levar até lá, e acho que ela anda meio brava com você...

_Eu sei, e é justamente por isso que estou aqui.

Isabelle saiu do banheiro com um mini short de lycra vermelho e camiseta branca. O cabelo encharcado e ainda sem pentear, para fazer Taylor acreditar que sua presença não mudaria em nada os hábitos dela.

_Oi.

Taylor sorriu, olhando-a de cima a baixo.

_Oi. Você está linda... fazia tempo que eu não te via...

Isabelle, por mais que negasse, ficou feliz ao ouvi-lo dizer que estava linda.

_Não era o pudim, April? -disse Isabelle, desconversando. _Que pena! Preferia que fosse o pudim.

_Eu não! -disse April maliciosamente, jogando charme para Taylor. _Ah, Belle, será que você poderia tirar uma foto minha com o Taylor? É só apertar o botão. -disse, dando a máquina para Isabelle, sem dar-lhe chance de negar.

April posicionou-se ao lado de Taylor, posando para a foto. Isabelle, morrendo de ciúmes, registrou logo o momento, para acabar com aquilo de vez. Porém, depois da foto, April abraçou Taylor ainda mais forte, para aproveitar um pouquinho mais. Ele, percebendo o descontentamento de Isabelle, tratou de livrar-se de April:

_Isabelle, eu vim até aqui para conversar com você...

_Eu sei, mas você perdeu seu tempo.

_Não vai me dar a chance de falar?

_Vou. Pode falar. -foi fria.

_Bem, a conversa pode ser em particular?

April sentiu que era hora de se retirar. Era amiga de Isabelle e sabia que Taylor era dela, não podia ficar triste com o fato de ter que sair dali.

_Eu já estou de saída. Belle, vou ficar no quarto aqui ao lado... comendo pudim... -April sorriu.

_Ok, eu te chamo depois.

_Ei, April. -Taylor a chamou. _Não diga a ninguém que estou aqui, ok?

_Pode deixar, ficaria calada mesmo que você não tivesse pedido.

_Obrigado.

_Tchau, Taylor, foi maravilhoso te conhecer. Tchau, Isabelle, não faça nada que eu não faria, você sabe...

April deixou o quarto e Taylor aproximou-se de Isabelle.

_Fico feliz que tenha aceitado falar comigo.

_Não fique tão feliz, vai ser breve... Na verdade, não quero falar com você.

_Eu vi sua cara de ciúmes quando sua amiga me abraçou. -disse sorrindo para ela.

_Impressão sua, eu não fiz cara alguma.

_Fez sim...

_Você é muito pretensioso! Me diga: O que te trouxe até aqui?

_Você, ora. Estava morrendo de saudade. Vim de Tulsa até aqui só para te ver...

_Deveria ficar feliz em ouvir isso, mas confesso que nada mudou, você sabe que não temos mais nada em comum.

_Você não fala sério quando diz isso...

_Claro que falo! -Isabelle parecia estar certa de suas decisões.

_Não, não fala, isso está em seus olhos. -Taylor olhou nos olhos dela, e Isabelle desviou o olhar. _Olhe para mim. Está querendo se esconder para que eu não saiba a verdade? Não faça isso, Belle...

_Não... -ela continuou com o olhar distante.

Isabelle estava ficando louca com o cheiro do perfume e o magnetismo do olhar dele. Estava sendo difícil manter-se perto de Taylor. Ela se afastou e sentou na cama de April, olhou para o crucifixo preso na parede e pensou: "Por favor me tire desta".

_Eu trouxe um presente, espero que goste. -Taylor entregou a ela o embrulho.

_O que é isso? Mais um de seus cordões??? -perguntou ironicamente.

_Não. É a coisa mais bonita que encontrei para te dar, achei que tinha tudo a ver com você... com a gente.

_Não tem mais nada com a gente!

_Abra, por favor.

Isabelle rasgou o papel que embrulhava a caixa do presente e viu que era uma delicada caixinha de música, frágil e muito bonita. Seus olhos encheram-se de lágrimas, mas ela se esforçou para não chorar. Taylor percebeu a emoção nos olhos dela e, feliz, pensou: "Está funcionando".

_Deixe-me mostrar como funciona... -Ele pegou a caixinha de música, rodou a chave e depois soltou. "Unchained Melody" começou a tocar.

Isabelle estava emocionada, mas fingia não estar. Queria vencer e ser forte o suficiente para mandá-lo embora, ele e a maldita caixinha de música.

_E então, o que achou? -Perguntou, sentando ao lado dela na cama de April.

Isabelle não sabia se chorava, se chamava a si mesmo de burra, se mandava ele ir embora ou se o beijava. Seguida por estranhos impulsos, ficou com a última opção. Taylor, surpreso com a resposta, e feliz demais, correspondeu ao beijo se esforçando para não dizer ou fazer algo errado.

De repente, a luz piscou, e logo em seguida apagou sozinha. Na escuridão, Taylor já não podia mais saber se ela estava feliz.

_A luz não vai voltar tão cedo. -disse Isabelle. _Isso sempre acontece.

Pelo tom da voz dela, Taylor pôde perceber que chateada não estava, ou pelo menos não parecia.

_Quer que eu vá embora? -ele perguntou. _Se eu estiver sendo inconveniente...

_Não. -disse, superando as expectativas. _Fique até a luz voltar.

_Por que me beijou? Eu não estava esperando...

Isabelle tinha que dizer algo, e, orgulhosa, inventou:

_Não queria fazer aquilo. Foi um ato sem pensar. Aliás, afaste-se de mim. -disse sem alterar a voz.

Taylor obedeceu. Ao levantar, no caminho para a outra cama, tropeçou numa caixa cheia de livros.

_Droga!!! -ele gritou.

_O que foi?

_Dei uma topada... Tropecei em algo duro... meu pé está doendo, meu dedo...

_April costuma deixar a caixa de livros no chão. Fique onde está, vou buscar gelo e tentar pegar uma vela.

Isabelle foi tateando as paredes até conseguir chegar à cozinha. Pegou uma vela no armário, acendeu, e em seguida foi buscar os cubos de gelo. Ao ver Isabelle retornar à sala, iluminada apenas pela fraca chama da vela, Taylor sentiu um frio no estômago.

_Tire o sapato e sente direito na minha cama. Coloque o gelo no dedo machucado.

Ela colocou a vela na mesa de cabeceira que ficava entre as duas camas e sentou na cama de April, vendo Taylor tirar o sapato e em seguida a meia. Maus pensamentos vieram à sua mente. Isabelle lembrou dos tempos que transavam loucamente. Tratou de tirar os pensamentos da cabeça e ficou calada olhando para ele.

_Acho que quebrei o dedo... Isso está doendo muito. -disse.

_Coloque gelo. Vai melhorar logo.

_Auuuu! -gritou Taylor.

_O quê?

_Está doendo muito. Merda!

Isabelle estava cagando para as dores de Taylor, só conseguia pensar nos momentos excitantes que tiveram juntos. "Merda! Não posso ter esses pensamentos, eu odeio o Taylor".

_Como você veio para cá? Seu pai te trouxe?

_Meus pais não vieram, vim com Zac e Isaac para Miami... E para cá eu vim dirigindo.

_Que avanço virem para Miami sozinhos. -Isabelle riu. _Ei, como você vai voltar para casa dirigindo?

_Não sei, mas tenho que conseguir, ou Isaac me matará.

_Vocês estão se falando?

_Não, mas agora que ele vai ser pai, está me tolerando mais... É o efeito da paternidade. Aliás, você ficou sabendo que o filho não é meu?

_A Sabrina me contou. Fico feliz pelo Isaac. Ele voltou com a Barbara?

_Não. Ele não a quer, ou melhor, finge que não quer.

Isabelle concluiu que estava na mesma situação de Isaac.

_Você ficou feliz de saber que o filho não é meu?

_Não fez diferença. -mentiu. Claro que estava feliz por isso, ou talvez aliviada.

_Você pode me arrumar uma toalhinha? Esse gelo está molhando toda a cama.

_Vou pegar.

Isabelle voltou rápido com uma toalha, e ao se aproximar, sentiu uma vontade fora do comum de agarrá-lo. Taylor estava lindo, iluminado pela luz da vela, sentado com as costas na parede e com um dos pés na cama. Ela deu a toalha na mão dele e se ajoelhou no chão para ajudá-lo como o gelo. Pegou um cubo e começou a passar no pé de Taylor.

_Não precisa fazer isso, eu mesmo faço... Sei que não quer fazer...

Isabelle deu o gelo na mão dele novamente, pegou o pé que estava no chão e começou a desamarrar a bota. Taylor não estava entendendo coisa alguma, mas também não perguntou qual o motivo daquele comportamento. Depois de tirar o sapato, tirou a meia... Isabelle estava seguindo suas emoções, não estava pensando direito.

_Pronto! Coloque o outro pé na cama.

_Obrigado. Por que fez isso? Estava tudo bem...

Ela interrompeu:

_Você está com as mãos ocupadas, não ia poder fazer sozinho. Fica mais confortável com os dois pés na cama. -disse, passando os olhos entre as pernas dele. Desviou o olhar com vergonha.

O silêncio do lugar estava pertubador. Isabelle esticou-se para pegar novamente o gelo das mãos de Taylor. Sem dizer uma palavra sequer, começou a esfregar o gelo nos dois pés dele.

_Somente o pé direito está doendo. -disse Taylor ingênuamente.

Isabelle tinha mandado para o espaço seu conflito interno. Taylor tinha despertado antigos desejos nela. Desistiu de lutar contra esses desejos, e agora ia até o fim. Continuou passando gelo nele por um tempo, o olhou no rosto e o viu sorrir para ela. "Não acretido que isso está acontecendo", pensou Taylor. Isabelle subiu na cama, sentou no colo dele, as pernas ao redor da cintura, e o beijou nos lábios. Pegou o gelo, passou no rosto dele, e depois lambeu eroticamente pelo caminho feito pela gota que escorria. Taylor gemeu, e Isabelle sentiu o efeito entre suas pernas. Desceu as mãos e tirou a camiseta dele. Voltou para os lábios e beijaram-se intensamente. Isabelle, com o coração batendo forte, desabotou-lhe as calças. Taylor fechou os olhos e respirou fundo. Isabelle levou sua mão até o peito dele, fazendo-o deitar em sua cama. Taylor parecia não acreditar que aquilo estava acontecendo... Ela prosseguiu. Ajoelhada na cama diante dele, retirou a camiseta, deixando seus seios à mostra. Taylor sentou na cama, de frente para ela, e segurando firme a cintura de Isabelle, beijou-lhe o ventre.

_Eu quero você novamente. -disse Isabelle quase perdendo o fôlego.

_Não mais que eu.

Ele retirou o minúsculo short de lycra de Isabelle, que estava completamente molhada e ofegante. Os dois suavam... Ele puxou-a para si, e ela, deitada por cima dele, começou a cavalgá-lo de maneira selvagem, quente, incontrolável. Taylor, com as bochechas rosadas e a pele quente, fazia caras e bocas, gemendo alto. Isabelle ditava o ritmo e ele acompanhava. Ela estava louca, amando-o, sentindo-se completa. Os dois estavam completamente saciados

_Eu te amo, Isabelle... você é tudo o que eu preciso.

Ela olhou para ele com lágrimas nos olhos, e disse:

_Também te amo.

_Você realmente disse isso? -mostrou-se surpreso.

Ao acabar de fazer a pergunta, a luz no alojamento voltou, e com a volta da luz, voltou também a sanidade de Isabelle.

_Não! -ela gritou. _Eu te odeio! -ela começou a chorar de verdade. _Você veio até aqui, me seduziu com seu perfume e seu rosto lindo que me dá nojo de olhar!!!

Ela saiu de perto, se envolveu num lençol, e jogou as roupas de Taylor para ele. Taylor ficou furioso.

_Você que fez isso! Eu me mantive distante, não insisti nada, você é que veio para cima de mim...

_Você tem coragem de falar isso???

_Foi isso que aconteceu, você não vai fazer com que eu me sinta culpado. Foi você que me seduziu!!!

_Você é o culpado! Veio aqui com aquela estúpida caixinha de música... Ande, vista-se e suma daqui. Não quero mais olhar na sua cara!

_O quê? Você está sendo injusta e má. Eu não fiz nada de errado! Eu fiz o que você queria, o que nós dois queríamos, eu não te obriguei a nada!

_Saia daqui! -gritou desesperada.

Taylor, vestindo a roupa, disse:

_Se me expulsar dessa vez, saiba que será a última vez. Vou sair por aquela porta e nunca mais voltar. Você disse, uma vez ou outra, que eu te tratava como meu brinquedo, mas é você que me usa como se fosse um!

_Cale-se! Eu te odeio! Pode sair e nunca mais voltar, arrume uma piranha na rua e vá se divertir com ela! -Isabelle estava irada.

_Você não sabe o que está dizendo e vai se arrepender depois. -disse Taylor, já perto da porta, pronto para sair. _Você vai sentir minha falta. Pode escrever o que estou dizendo. Você me ama, Isabelle, não tem como fugir disso!

_Vá embora! -ela deu o último grito.

Taylor saiu mancando porta afora, e escutou um barulho vindo do quarto de Isabelle. Ela tinha acabado de arremessar a caixinha de música na mesma porta pela qual ele tinha saido.

_Eu te odeio! -ela gritou.

Taylor entrou no carro, e mesmo com o pé dolorido, voltou para casa dirigindo. "Ela acha o quê? Acha que vou ficar sendo maltratado o tempo todo? Pra mim chega! Tá certo que eu errei, mas hoje a culpa foi dela... Ela que me seduziu. Se quiser que me procure, eu cansei!"

Quando Taylor chegou de volta ao apartamento, Isaac e Zac ainda estavam acordados. Foi zac quem abriu a porta, enquanto Isaac, deitado, ficou olhando-o entrar sem dizer nada.

_Que cara é essa, Tay? -perguntou Zac. _Deu tudo errado com a Isabelle novamente?

_Pra variar. -disse triste e zangado.

Zac percebeu que Taylor estava mancando.

_O que aconteceu com a sua perna?

_Tropecei, acho que quebrei o dedo do pé... depois eu vejo isso.

_Vai, me conte o que aconteceu com a Isabelle...

Taylor tirou a camiseta, os sapatos, e deitou na sua cama de colchonetes. Já acomodado, ele contou tudo para Zac, que deu razão ao irmão. Isaac escutou a história e não fez comentário algum, apenas pensou: "Isso está estranho... Por que Isabelle transaria com Taylor se ela não gosta mais dele? Acho que Taylor foi cafajeste novamente..."

_Tay, e agora? O que você vai fazer sobre isso? -Zac perguntou.

_Eu? Eu vou tentar, de todas as formas, esquecer Isabelle. Estou cheio das suas manhas, do seu jeito grosso de me tratar... Sei que fui um merda, mas já me desculpei mil vezes... se ela não quer me aceitar, problema dela! Eu vou tentar tirá-la da minha mente, ficar com outras garotas... vai ser melhor assim. Ela diz que não me quer, não é? Sei que o que ela diz não é verdade, mas agora quem não a quer sou eu! -disse Taylor, chateado.

Isaac, escutando o depoimento de Taylor, ficou preocupado. Se a reação de Barbara em relação a ele fosse a mesma de Taylor, ele acabaria perdendo-a para sempre. Ele não queria perder Barbara de vez. Tinha que mudar, mas continuava agindo de maneira dura consigo mesmo. "Dane-se a Barbara!", ele pensava.

Isabelle ainda estava chateada com as coisas que haviam acontecido. Não devia ter dito aquilo tudo para ele, tinha consciência de que tinha sido grossa, mas não ia pedir desculpas. Em sua cabeça era Taylor quem devia à ela eternas desculpas.

April voltou ao quarto e encontrou Isabelle chorando.

_Meu Deus! O que aconteceu? Taylor brigou com você? -perguntou preocupada.

_Sim, mas dessa vez eu fui a culpada.

_Quer me contar o que aconteceu? -pediu April, agachada de frente para ela.

Isabelle contou todos os acontecimentos daquela noite, e acabou levando uma bronca da amiga.

_Você até hoje não me contou o motivo da briga que separou vocês dois, mas poxa... o menino veio de Tulsa para cá somente para te ver, te pedir desculpas, comprou um presente caro, uma caixa de música italiana original custa uns 1000 dólares, e você faz isso? Isabelle, você é louca, não devia ter sido grossa com ele!

_Eu sei, mas me descontrolei... depois que a luz voltou, eu visualizei o dia em que Taylor transou com a Barbara! -Isabelle deu um furo.

_O quê? Quem é Barbara? Não vá me dizer que é a namorada do Ike?!? -April estava confusa.

_Não devia ter contado sobre isso... não que eu não confie em você, mas é que fizemos um trato. Walker pediu para todos nós não comentarmos sobre isso... Você sabe, April, se os repórteres souberem dessa história, vai dar o que falar. Promete que não vai contar nadinha?

_Claro. Você pode confiar em mim.

_Ok. Bem, já que comecei, eu vou contar o resto. Lá vai...

Isabelle contou toda a história da traição, e as coisas foram ficando claras para April. Naquela noite, ela e Isabelle choraram juntas: April, comovida com a história, e Isabelle, por lembrar dos erros de Taylor e de seus próprios erros.

No dia seguinte, Isaac, Taylor e Zac levantaram cedo, arrumaram tudo, e voltaram para Tulsa. Isaac, que tinha comprado um monte de coisas, voltou com muito mais bagagem do que a mochila que tinha levado para lá. Estava todo contente. Taylor, por sua vez, frustado, e Zac, puto por ter ido a Miami ser apenas conselheiro amoroso e companheiro de compras.

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