EpisÓdios
#022 | A hora da verdade

Isabelle estava em Miami levando sua vidinha monótona. Ficava trancada em seu quarto, no alojamento, conversando com April a maior parte do tempo. Sentia saudades do Brasil, e das aventuras com os Hanson e suas amigas no período das férias.
_Isabelle? -chamou April, que já estava deitada.
_O quê? -repondeu, sentada diante do computador.
_O que você acha de irmos para Tulsa no próximo fim de semana?
_Você está louca? -Isabelle a reprimiu. _Não quero nem pensar em voltar àquela cidade. Não quero pisar no mesmo lugar que Taylor Hanson vive. Não quero encontrá-lo de jeito algum!
_Ahhhhhh! -April reclamou. _Minha intenção era justamente essa.
_Não vou mesmo. Quero distância do Taylor! Vá você atrás dele, fique com ele embrulhado para presente.
_Nossa! Ele deve ter sido mau com você, para falar assim...
_E foi, mas não vamos entrar em detalhes.
_Tudo bem, respeito seus segredos, você nunca me contou nada, e não vou te forçar. -April ficou calada por um tempo e depois perguntou: _Se você não gosta mais do Taylor, por que fica entrando no chat dos Hanson?
_April, eu continuo gostando da música dos Hanson, eu só não gosto do Taylor.
_E se o Taylor aparecesse aí nesse chat? Você falaria com ele?
_Claro que não! E ele não está aqui. Ele usa o nick "Blue_eyes_guy" e não tem ninguém com esse nick aqui. E eu não estou usando meu nick oficial, ele nunca saberia que sou eu.
_Hmmm, senti você dizer isso com um tom de quem quer que ele apareça.
_Se ele aparecer, eu desligo. -Isabelle falou sério.
_Duvido! -April riu. _Bem, Belle, está tarde, eu vou dormir, continue sua noitada na internet. Se encontrar o fofo do Taylor, diga que mandei um beijo.
Isabelle, no seu interior, pensava no atrevimento de April mandando beijos para Taylor, mas não podia reclamar pois ela mesma tinha dito que não o queria mais. Ficou horas no chat, e quando já estava cansada, às 3 da manhã, "Blue_eyes_guy" apareceu na sala de bate-papo. "Oh não!", pensou Isabelle, "Isso só pode ter sido praga da April, melhor desligar, não quero contato com ele." Ela ia mesmo desligar, mas Taylor foi mais rápido e clicou nela. Não sabia que era Isabelle, estava apenas a fim de conversar.
_Quer conversar? -perguntou para Isabelle, que usava o nick "Princess".
Isabelle entre o sim e não, disse:
_Claro. a/s/l? -perguntou para disfarçar.
_Isso importa? Prefiro não dizer.
_Não diga então, mas conte-me mais sobre você.
_Não há nada especial sobre mim. E sobre você?
_Por que quer saber?
_Curiosidade. Se não quiser falar, não precisa. Eu entrei aqui à procura de alguém para desabafar. Você aceita escutar meus problemas?
_Por que você me escolheu para isso? Tem tantas pessoas nesse chat...
_Foi aleatório, mas tudo bem, se não quer me ouvir...
_Não. Eu quero. -respondeu rápido. Estava interessada.
_Tudo bem se não quiser me ouvir, você provavelmente ficaria entediada com as minhas frustrações.
_Não. Pode contar. Sou boa nisso, adoro escutar problemas. -estava realmente interessada em saber o que estava atormentando-o. _Você não quer me dizer seu nome?
_Não é necessário.
_Ok. Conte-me sua história.
_Bem, meu namoro terminou há menos de um mês e eu estou sem rumo.
_Por que terminou?
_É uma longa história. Transei com a namorada do meu irmão e ela era a melhor amiga da minha namorada.
_Você é estúpido? Como pôde fazer isso? >:( -Isabelle estava demonstrando seus próprios sentimentos.
_Não fiz de propósito, estávamos bêbados.
_Todos dizem isso depois que fazem merda! Continue.
_Bem, depois que as coisas vieram à tona, minha namorada terminou nosso namoro e meu irmão brigou comigo. Agora eu estou sozinho. E para piorar, a namorada do meu irmão está grávida!
_O quê??? -Isabelle sentiu o coração disparar, o corpo gelado em reação à notícia.
_Ela está grávida, e o filho pode ser meu. Contando desse jeito, devo estar te assustando. Não é? Foi mal por te pertubar.
_E a sua ex-namorada? Como ela fica nessa história?
_Eu vou falar com ela, vou procurá-la e contar tudo. Meu problema é tão grande que nem sequer moro na mesma cidade que ela. Vou ter que procurá-la em Miami onde ela está morando.
_Se eu fosse você, não faria isso.
_Por que não?
_Sua namorada deve estar muito zangada com você, e não vai aceitar bem essa notícia. Coloque-se no lugar dela.
_Eu sei que agi errado, mas preciso contar a ela sobre essa gravidez. Você não acha?
_Ela vai querer te matar. Eu faria isso, se fosse ela.
_Droga! Droga! Droga! O que eu devo fazer?
_Nunca mais fale com ela. Ela não deve estar precisando de você.
_Mas eu estou precisando dela. E eu duvido que ela não esteja precisando de mim.
_Tenho certeza que ela não está. -ela estava irada.
_Como você sabe disso?
_Por que sou Isabelle Lopes Ferreira, sua ex-namorada, Taylor Hanson!!!
Taylor ficou pálido ao ler aquilo na tela de seu computador. Ele não sabia o que dizer.
_Isso foi golpe baixo, Isabelle!
_Não, você que é baixo! Não ouse me procurar, e fique com Barbara! Com a sorte que você tem, esse filho deve ser seu. Coitado do Isaac... Não me procure mais, Taylor!
Isabelle desconectou, enfurecida, deixando Taylor teclando sozinho. Estava arrasada, porque no fundo ainda gostava dele. Era duro escutar da boca de Taylor sobre a gravidez de Barbara, e a probabilidade do filho ser dele. Ela se jogou em sua cama e começou a chorar incontrolavelmente. Isabelle mordia o travesseiro para não chorar alto, não queria acordar April. Estava revoltada, afinal, tinha descoberto, sem querer, sobre a gravidez de Barbara. Pensou: "Droga! Se esse filho for do Taylor, eu vou acabar perdendo ele para a Barbara. Eu odeio a Barbara! Que golpe baixo engravidar de um Hanson! Droga! O que eu estou pensando? Eu não quero o Taylor de volta." Ficou se debatendo na cama por mais alguns minutos e depois adormeceu. Já tinha chorado o bastante.
Taylor, furioso por ter ficado "teclando" sozinho, desconectou e foi falar com Zac, que ainda estava acordado vendo o Playboy Chanel.
_Zac, posso falar com você?
_Calma! Espere essa garota terminar...
Taylor desligou a tv.
_Zac, preste atenção em mim. Eu preciso de sua ajuda.
_Ah, Tay, aquela garota era tão quente! -Zac disse, desapontado com o irmão.
_Vou contar para a Sabrina o que você anda vendo na tv... Agora, falando sério: Preciso de sua ajuda.
Zac olhou para Taylor, bocejando.
_O quê?
_Quero que você descubra com a Sabrina o endereço certinho de onde Isabelle está em Miami.
_Você não pretende ir atrás dela, não é? -Zac não concordava.
_Claro que pretendo. Você vai ou não vai descobrir o endereço?
_Hmmmm... -Zac pensou. _Não.
_Não??? Zac, veja o meu estado, estou desesperado. A garota que eu amo está, de certa maneira, perto de mim e eu não estou fazendo nada para vê-la. Quero reconquistá-la. -Taylor estava realmente desesperado.
Zac, notando o desespero do irmão, resolveu ajudá-lo.
_Sabrina já me deu o endereço do lugar onde Isabelle está. Ela me disse para não te dar, porque Isabelle não quer te ver, mas estou com pena de você... Jamais diga a ela que eu te dei o endereço.
_Obrigado, Zac. Você é demais. -Taylor abraçou o irmão. _Será que o papai nos levaria até Miami no fim de semana?
_Não sei, de repente sim. Agora que temos um apartamento naquela cidade, fica mais fácil. Ah, mas a mamãe não vai deixar, Barbara ficou de ligar na sexta para dizer o resultado do exame. Esqueceu desse detalhe?
_Não. Claro que não esqueci, mas não importa, depois do resultado vou querer ir até Miami ver a Belle.
_Sem querer te deixar preocupado, mas imagine se esse filho da Barbara for seu. Você acha que a Isabelle vai gostar disso? Sem chances, Tay. Se o bebê for seu, dê adeus a Isabelle.
_Eu sei que ela não vai gostar... -disse Taylor, pensando na conversa que tivera com Isabelle minutos antes. _Se esse filho for meu, vou ter que assumi-lo. Não que eu não aceite isso, mas prefiro que o filho seja do Ike.
_Tay, todos preferem que o filho seja do Ike. Até mesmo o Ike, que está irritado com Barbara, quer que o filho seja dele.
_Você acha que eles vão voltar?
_Mais cedo ou mais tarde, sim.
_E eu e a Isabelle?
_Eu acho que não. -Zac respondeu rindo.
_Você é tão bobo, Zac. Pare de jogar praga! -Tay deu um tapinha no irmão.
_Eu não estou jogando praga nenhuma, você é que se meteu nessa furada. Agora espere e veja no que vai dar... E me dê esse controle remoto, quero ver as meninas do canal Playboy. -pediu rindo.
_Você é tarado Zac!!! -riu.
_Eu??? E você? E se quer saber, eu estou sentindo falta da Sabrina... Aquela menina me deixa louco.
_Pelo menos você sabe que ela vai ser sua quando encontrá-la da próxima vez, eu não tenho certeza de coisa alguma. Provavelmente não vou transar nos próximos 50 anos!
_O que você quis dizer com isso?
_Quis dizer que vou esperar pela Isabelle, e que, se ela não me quiser, continuarei esperando... esperando... e esperando.
_Sei... clarooooo... -Zac fingiu tossir. _Você, se bobear, não vai esperar nem mais uma semana.
_Cale-se, Zac. Você não me conhece.
_Já calei. Nem vou discutir com você, não vou gastar minha saliva. Vamos ver tv: "Taylor, a garota do sueter" -Zac apontou para uma garota que fazia strip tease na tv. _TAYLOR, a garota do sueter!!! Olhe, você está lá... Quem manda ter esse nome unissex! Que peitos gostosos, Taylorrrrrr! -Zac não parava de rir.
Taylor deitou Zac no sofá, e pulou em cima dele, queria "matá-lo" de tanto fazer cócegas. Zac ria alto, e gritava; "Pareeee". Taylor estava com as bochechas rosadas de tanto fazer esforço.
Isaac, ao escutar aquela barulheira às 4 da manhã, desceu as escadas para ver o que estava acontecendo na sala. Sonolento e mal-humorado, ele perguntou:
_O que está acontecendo aqui? Vocês não conseguem respeitar o sono dos outros???
_"Taylor", a garota do sueter, está me cavalgando... Hmmmm, olhe os peitos dela, Ike... e o cabelinho loiro, tão macio... -Zac tocou os cabelos de Taylor, que estava sobre ele.
_Cale a boca, Zac, vá dormir. Desligue essa tv. -disse Isaac, estressado.
_Ah, Ikeeee, vá dormir você. Não tenho culpa se você é um corno manso que não consegue pegar no sono porque o chifre não cabe na cama! -disse Zac, ofendendo o irmão.
_O que você disse? Repete! -disse Isaac, enfurecido.
Taylor saiu de cima de Zac, e de perto de Isaac, foi para o outro canto da sala. Percebera
que Zac estava prestes a tomar um soco, e não queria que sobrasse para ele.
_Eu disse que você é um corno! E não me olhe com essa cara de raiva, você sabe que você é. E além de tudo, fica tracadinho no quarto fingindo que sente dor, e que não vai perdoar Barbara. Você ama a Barbara, admita, você é corno manso! Ligue para ela e se desculpe. Estou cansado de ver você sofrer à toa . Pare com isso, e pare de descontar sua raiva na gente. Você ama a Barbara, deixe seu orgulho de lado!
Isaac quis acertar um soco na cara de Zac, mas sabia que seria covardia, e, por isso, conteve sua raiva. Olhou para Taylor com ódio no olhar, e, em seguida, para Zac. Falou:
_Você, Zac, está sendo envenenado por Taylor, e se quer saber, você está errado: Eu não amo a Barbara.
_Ah, não, sou eu que amo. Ike, eu posso ter só 14 anos, mas sei o que estou dizendo.
Taylor, com os dois olhos bem arregalados, observava seu irmão mais novo dar uma lição de moral em Isaac. Tudo que Zac falara era a mais pura verdade, e Isaac estava sendo imaturo em não aceitar.
_Você não sabe o que está dizendo, você não passou pelo o que eu passei, pelo o que eu estou passando. Você não sabe como é angustiante. Sua namorada não te traiu e não ficou grávida do seu irmão.
Taylor, que até então estava calado, tomou a palavra:
_Ike, o que você disse não é certo, você não sabe se o filho é seu ou meu...
_E nem quero saber, não me importo de verdade com isso. Se for seu, melhor ainda! Vou dormir, não sei porque estou trocando palavras com você, esqueci que porcos não falam. Adeus, continuem vendo a garota do sueter, vocês não tem mesmo nada em mente... só sexo!
Isaac virou as costas para retornar ao quarto. Zac sussurrou para Taylor:
_Depois desse discurso, ainda tem coragem de dizer que não gosta da Barbara... coitado!
Enfim, chegara o dia de Barbara receber o resultado do teste de paternidade. Foi com o pai buscar o papel do exame, e ao ter o envelope com o resultado em suas mãos, suou frio. Barbara não teve coragem de abri-lo.
_Leia você, pai... depois me conte. Eu não vou conseguir. -disse nervosa e trêmula.
_Consegue sim. Vai, abra.
_Não posso, pai. E se não for o que eu espero?
_Você terá que conviver com isso. Vai, abra. -ele estava curioso.
Ao abrir o envelope e olhar o resultado, Barbara tomou um choque. Começou a chorar. Sem dizer uma palavra sequer, ela abraçou seu pai. Foram, logo em seguida, para casa. A chuva caía torrencialmente. Barbara sempre dizia que, quando caía chuva forte, era sinal de que algo impossível ia acontecer, e agora estava certa sobre sua teoria. Contou o resultado à sua mãe e, em seguida, disse:
_São 4 da tarde, vou ligar para Tulsa, tenho que contar a novidade aos meninos.
_Ligue, é melhor fazer isso logo. Preste atenção no jeito que vai dar a notícia, pode ser que um deles fique muito magoado.
_Vou tomar cuidado, mãe, pode deixar. Vou tomar cuidado para não me magoar também.
O telefone mal tocou em Tulsa, e logo alguém atendeu. Isaac sabia que Barbara ligaria, então ficou ao lado do telefone a maior parte do tempo. Estava ansioso, apesar de tudo.
_Barbara? -ele perguntou.
_Ike?
_Sim, sou eu. E então, pegou o resultado? -nem perguntou se ela estava bem.
_Peguei.
_E então, o que deu? Você me parece calma.
_Eu estou calma, realmente. Se eu me desesperar, como é que vou levar a vida? O Taylor está?
_Sim. Por quê? Você quer falar com ele? -Isaac ficou preocupado.
_Quero. Chame ele, por favor.
_Mas calma, você nem disse qual foi o resultado...
_Quero falar com o Taylor. Você pode chamá-lo?
Isaac, muito desconfiado, foi chamar o irmão. Taylor, louco pela resposta, logo atendeu o telefone. Estava sério, afinal o assunto a ser tratado era da maior importância.
_Barbara, que bom que ligou logo. Estou muito ansioso para saber o que deu. -parecia alegre.
_Tay, espero que você não fique decepcionado com o que eu vou te contar, mas... esse filho que eu estou esperando... é do Isaac. -disse calmamente.
_Oh, Barbara. Isso é bom, não é?
_Depende de como ele vai reagir. Se ele aceitar, será maravilhoso, caso contrário, será horrível!
_Se o filho fosse meu, eu estaria feliz e disposto a ajudar em tudo, aliás, de qualquer forma, estou disposto a ajudar. Parabéns, Barbara. Finalmente estou dando-lhe os parabéns pela gravidez. Eu ainda não tinha dito isso... ficou mais fácil agora que está tudo resolvido. Agora sabemos de quem é o filho. Olha, se o Ike for grosso, não ligue, no fundo ele vai adorar saber da novidade. Vou chamá-lo, vocês têm muito o que conversar.
_Estou decepcionada com ele, Tay. Da última vez que conversamos sobre o bebê, ele foi hiper nojento e estúpido.
_Confie em mim. Ele não será dessa vez. Qualquer um fica feliz ao saber que um filho seu virá ao mundo.
_Obrigada pela força, Tay. Te adoro, garoto. Se cuida. Mil beijos para você.
_Para você também. Vou chamar o Ike.
Taylor passou o telefone para o irmão, que estava em outro cômodo da casa.
_Ike? é você? -Barbara perguntou.
_Sim. E então, disse ao Taylor que ele vai ser pai? -perguntou Isaac, achando que sabia de tudo.
_E quem te disse que ele vai ser pai?
_Não vai?!? -Ficou surpreso, e sorriu.
_Você vai. O "verme" ao qual você se referiu, é seu!
Isaac sentiu desprezo na voz de Barbara, e percebeu que o que tinha dito, tinha magoado-a profundamente. Teve que se desculpar.
_Barbara, me desculpe por aquilo, eu não quis dizer...
_Não quis dizer?
_Desculpe, eu estava com raiva.
Barbara ignorou a história do verme e prosseguiu:
_Está feliz com a notícia?
_Estou. -disse friamente. Por dentro, Isaac estava explodindo de emoção.
_Nossa, Ike, nem parece que está feliz... Eu já esperava essa reação, você me odeia.
Isaac ficou calado, sem negar, e Barbara prosseguiu:
_E então, o que você vai fazer sobre isso? Digo, sobre o bebê...
_Vou ajudá-la financeiramente e dar amor quando a criança nascer. É o meu dever. Mas infelizmente, Barbara, não vou estar ao seu lado, não posso estar... não posso.
_Não pode ou não quer?
_Não posso ficar ao lado de alguém que me magoou, ao lado de alguém que não confio. Desculpe, Barbara, mas só posso amar meu filho, ele não tem culpa das circustâncias... Eu o amo.
O fato dele ter dito que não podia, e não que não a queria, deixou em Barbara uma pequena ponta de esperança de um dia tê-lo de volta.
_Eu já imaginava que você diria isso. Eu entendo, não posso te obrigar a nada. Pode deixar, vou te manter informado sobre as mudanças que forem ocorrendo. Bem, Ike, já te contei as novidades e agora preciso desligar.
_Eu também tenho que ir. Ligue para mim se precisar de algo, e cuide-se, nosso filho precisa de cuidados.
_Eu sei disso, Ike, eu vou me cuidar. Tchau.
Barbara sentia-se aliviada com a decisão de Isaac de assumir o filho, mas por outro lado, estava muito triste por não tê-lo ao seu lado naquele momento. Ele não estaria perto quando ela sentisse enjôos, desejos, quando o bebê desse os primeiros chutes, ele não ajudaria na arrumação do quartinho do bebê e tudo mais. Pensar nisso, deixou Barbara deprimida.
Isaac, após desligar o telefone, foi procurar sua mãe para uma conversa. Diana era sua conselheira número 1, a única capaz de entendê-lo. Entrou no quarto e a encontrou lendo, deitada na cama.
_Posso te interromper um pouco, mãe?
_Claro. Entre meu filho, sente-se aqui. Algum problema? -perguntou preocupada.
_Não exatamente. Barbara acabou de ligar.
_E aí? -mostrou-se curiosa.
_O filho é meu.
Diana abriu um imenso sorriso e abraçou Isaac.
_Parabéns, meu querido. Que bom, vai ser papai! Está feliz?
_Muito. Mãe, você não tem idéia de como estou feliz. Estaria mais feliz se estivesse de bem com a Barbara.
_Isso só depende de você.
_Eu sei, mas não consigo, talvez mais tarde...
_Quer dizer que não vai ficar ao lado dela? Não vai voltar com o noivado?
_Não, mãe, eu não posso. Vou ajudá-la nos cuidados com o bebê, mas não vou voltar pra ela.
_Ike, isso é totalmente errado, ela deve estar precisando muito de você. O pai é importante durante a gestação, você não pode contribuir só com dinheiro, você tem que dar amor.
_Não vou voltar atrás. Sei que um filho precisa de pai, e o meu vai ter. Assim que o bebê nascer vou ajudar em tudo.
_Você não está entendendo, ou finge não entender. Você precisa estar com ela agora. Vocês estavam juntos quando fizeram o bebê. E a família? Vocês precisam construir uma!
_Isso não, mãe. Não vou ficar com alguém que não amo mais só por causa de uma criança.
_Ike, não seja duro com você mesmo, você ama seu filho, ama Barbara. Ligue para ela e aceite a menina de volta. Faça isso para o seu bem e o bem de todos.
Isaac abraçou sua mãe novamente.
_Desculpe por decepcioná-la, mas não vou fazer isso.
_Pense bem, Ike.
_Já pensei. Nada me fará mudar de idéia... não nesse momento.
_Você vai mesmo deixar a mãe do seu filho sozinha, sem alguém para se apegar? Taylor nunca faria isso!
Isaac ficou furioso, e em voz alta, disse:
_Foda-se o Taylor! Ele não é nada, é apenas um idiota sem escrúpulos que arrumou toda essa confusão!
_Ike, retire o que disse sobre o seu irmão, e peça desculpa pelos dois palavrões que você falou.
_Desculpe, mãe. Eu estou um pouco alterado emocionalmente... não é todo dia que se recebe a notícia de que vai ser pai.
_Que bom que você está feliz, as coisas poderiam ter sido piores.
_Mãe, mudando de assunto... Quando poderemos ir a Miami ver o novo apartamento?
_Não têm móveis na casa...
_Queria conhecer o lugar... Estou precisando arejar a mente, uma viagem agora seria uma boa pedida.
_Vá com seus irmãos, Taylor e Zac querem muito ir, e você pode ficar responsável por eles.
_Não quero ficar responsável pelo irresponsável do Taylor.
_Faça isso pela sua mãe, querido. -Diana sorriu.
_Hmmm... ok, mãe, vou pensar... mas você sabe que faço tudo por você.. Iremos amanhã?
_Seus irmãos querem ir amanhã cedo...Taylor está todo empolgado para a viagem.
_Tudo bem, eu levo eles até lá, mas já sabe: Não vou trocar uma palavrinha sequer com o Taylor.
_Pare com essa bobeira, Ike. -pediu Diana, encarecidamente.
_Não mesmo. Taylor não merece depois do que fez comigo.
_Sabe do que mais? Você precisa sentar sozinho e avaliar os prós e os contras de continuar tratando Barbara e Taylor assim. Você verá que está perdendo tempo e muitas outras coisas.
_Perdendo o quê, por exemplo? Ser ridicularizado e aceitar isso?
_Ike, Ike... -Diana balançou a cabeça. _Você é muito cabeça dura. Ainda tem muito o que aprender com a vida, e um dos ensinamentos já chegou... Daqui a nove meses você vai ficar doidinho: terá que trocar fraldas, dar banho, acordar no meio da madrugada com o choro...
Isaac sorriu de felicidade com todas as coisas que sua mãe dissera. Ia ser legal cuidar de um bebê. Adorava crianças, e sabia cuidar bem delas pois aprendera cuidando de todos os seus irmãos. Diana trouxe Isaac de volta à realidade:
_...Mas você sabe que isso só vai acontecer se ficar com a Barbara, caso contrário, será você aqui e ela e o bebê lá. Dificilmente você verá seu filho, e terá notícias por telefone. E então, vai preferir deixar seu orgulho de lado ou perder o crescimento do seu filho? É você quem escolhe.
Isaac abaixou a cabeça pensativo, e depois olhou para sua mãe.
_Isso é tão difícil. Eu queria poder ficar com meu filho, mas não ter que ficar com a Barbara.
_Tem certeza de que não quer Barbara?
Isaac não respondeu.
_Seu silêncio diz tudo. Vá arrumar suas coisas, amanhã você vai para Miami com seus irmãos. Vai ser bom você sair dessa casa. Quem sabe ao respirar novos ares você não mude de idéia?!
_Obrigado pelos seus conselhos, mãe.
PRÓXIMO >> |