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#020 | Pesadelo: Não poderia ser pior

Isabelle sentiu-se perdida ao desembarcar em Miami, não sabia para onde ir e nem o que fazer. Sem ter a quem recorrer, tratou de se virar para conseguir as informações que precisava. Ao chegar na Universidade, ficou impressionada com a imensidão do lugar, mas, seguindo todas as recomendações que haviam sido lhe dadas, ela achou o alojamento. Carregada de malas, com uma certa dificuldade, ela conseguiu chegar ao seu destino. O quarto onde ia morar nos próximos anos era um ambiente pequeno, porém aconchegante.

Foi recebida por April, uma norueguesa da mesma idade dela, com a qual ia dividir o quarto. Teve a impressão de que se dariam bem logo que começaram a conversar. April, muito solícita, foi, pouco a pouco, explicando à ela as normas do lugar. Isabelle, que estava escutando tudo muito atenta, entre uma recomendação e outra percebeu que April a observava de maneira estranha, como se a admirasse.

_Seu nome é mesmo Isabelle? -perguntou.

_Sim, por quê? -respondeu sorrindo.

_Eu te conheço de algum lugar e acho que sei de onde... Você não é a namorada do Taylor Hanson? -perguntou, excitada.

_Ex-namorada. Não temos mais nada em comum. -o sorriso sumiu do rosto de Isabelle.

_O quê??? -ela se espantou. _Vocês não estão mais juntos?

April ficou muito feliz com a notícia sobre o fim do namoro de Taylor, mas não deixou transparecer.

_Sim, e por favor, não me pergunte o porquê pois não vou dizer. -foi meio grossa. _E só para saber, como você sabe que eu era a namorada do Taylor?

_Eu sou fã deles, sei tudo sobre os três... Fácil.

Isabelle não deu continuidade à conversa e começou a desfazer as malas. Com raiva, pensou: "Que merda! Com tantos quartos nesse alojamento eu tinha que dividir logo com uma fã de Hanson? Vai ficar me fazendo perguntas... Eu vou dar um fora se ela me encher, e se ela me provocar e falar que gosta do Taylor, vou querer matá-la!" Respirou fundo e voltou falar com April.

_Temos um computador... Que interessante. -comentou, ao notar a mesinha onde ele estava.

_E conectado à internet!

_Ótimo, sei que vou passar horas do meu dia nele.

_Que nada, temos muitas coisas para fazer no campus, longe de ser uma vida entediante. Depois vamos dar uma volta por aí? -April sugeriu.

_Não está um pouco tarde demais? São 9 da noite.

_E isso é tarde? Vamos andar aqui por perto do alojamento, você pode aproveitar e me contar algumas coisas sobre os Hanson...

_April, eu não quero parecer chata, mas você mal sabe sobre mim, nem ao menos perguntou sobre os meus hábitos, e já quer saber dos Hanson? Acho que a vida particular deles só diz respeito a eles. -não fez questão de esconder seu descontentamento.

_Tá bom, não precisa me contar nada, mas vamos dar uma volta? -insistiu, esforçando-se para ser simpática.

_Tudo bem. Se quiser, depois te mostro minhas fotos com eles na Disney, mas não me faça perguntas. Ok? -ela cedeu, não queria parecer tão grossa.

_Posso te perguntar ao menos uma coisa?

_Fale.

_Aquela sua amiga que ficou noiva do Isaac ainda está com ele?

_Não sei, não tenho falado com ela, mas acho que não.

_Você sente falta do Taylor?

_Desculpe, mas não quero falar sobre isso... Quem sabe com o tempo eu não te conte?

Isabelle continuou a colocar suas roupas no armário enquanto conversava com a norueguesa. Apesar da curiosidade de April, parecia que elas iam se dar bem e se tornar amigas. April estava se esforçando para isso.

_Quem é? -perguntou ao ver Isabelle segurar um porta-retrato.

Isabelle estava com o presente do último Natal nas mãos, o porta-retrato com uma foto de Taylor ainda bebê. Seu olhos encheram-se de lágrimas e, sem olhar para April, respondeu com a voz trêmula:

_Taylor. Diana me deu de presente essa foto.

April sentou ao lado dela.

_Acho que você ainda sente falta dele. -comentou.

April não sabia que provocaria a ira de Isabelle. Ela arremessou, com muita raiva, o porta-retrato na parede, e só deu tempo de ver o vidro que protegia a foto quebrar-se em mil pedacinhos. Ao ver o presente no chão, totalmente danificado, Isabelle começou a chorar, arrependida do que havia feito. April estava boquiaberta: "Será que eu disse algo errado?" Ela se perguntou. Foi para perto de Isabelle, ajudar a catar os cacos de vidro, e perguntou se ela queria um calmante. Isabelle disse que não era necessário e colocou o porta-retrato, mesmo sem o vidro, na sua mesinha de cabeceira.

Na manhã seguinte, no Brasil, Barbara acordou agitada. Acordara de um pesadelo onde via Isaac afogando-se numa piscina de água escura. Achou que algo ruim pudesse estar acontecendo a ele, mas não tinha como saber. Foi até o banheiro e ficou se olhando no espelho. O suor escorria pelo rosto e estava pálida. Angustiada, sem se importar com a hora, ligou para Sabrina. A amiga não achou nada demais do pesadelo, pensou que pudesse ser apenas um simbolismo do que Isaac estava sofrendo longe dela. Barbara continuou achando que havia alguma coisa por trás daquilo, tinha certeza de que era uma mensagem. Sabrina falou para ela relaxar, e tentou tranquilizá-la dizendo que se Zac ligasse, ia perguntar sobre Isaac. Barbara aproveitou o telefonema para desabafar ainda mais. Havia milhões de coisas em sua cabeça, muitas preocupações, e uma delas era o fato de sua menstruação estar atrasada.

_É normal atrasar? -perguntou Sabrina.

_Não. Eu tomo pílula, a menstruação sempre desce quando eu paro de tomar.

_E você parou de tomar?

_Fazia as pausas que tem que fazer... mas na semana passada, depois de voltar de Tulsa, eu parei de vez. Se não vou transar, pra que continuar tomando?

_Tem certeza de que não parou antes?

_Sabrina! Até você??? É óbvio que eu estava tomando, só parei quando voltei para o Brasil.

_Então vá ao ginecologista, Barbara.

No resto da semana, Barbara não fez nada de interessante para ocupar seu tempo, continuava com seus livros e cds, tentando se entreter com eles. Sabrina passava os dias na internet, e de vez em quando recebia e-mails de Zac. Nada havia mudado desde a ligação que fizera para ele.

Em Miami, Isabelle aproveitava o restante das férias para conhecer a cidade e consolidar sua amizade com April. As duas passavam o tempo todo juntas, e pouco a pouco estavam virando confidentes. Isabelle só não gostava de April ter Taylor como Hanson preferido, mas ia aprender a lidar com isso e controlar seu ciúmes, afinal, insistia em dizer que não gostava mais dele.

Mais outra semana veio, já estavam pra lá do meio de janeiro, e Barbara começou a ficar preocupada com seu corpo. "Droga! Devo estar sofrendo as consequências por ter tomado pílulas por muito tempo..." Barbara decidiu, finalmente, ir ao ginecologista. Estava com medo de que pudesse estar com algum problema grave.

Numa sexta-feira, dia 24 de janeiro, na hora marcada, Barbara apareceu no consultório do médico. Explicou tudo o que estava acontecendo, e descobriu que, aparentemente, não havia nada de errado.

_Da última vez que teve relações sexuais, você estava tomando pílula?

_Sim. Só parei de tomá-las bastante tempo depois, uma semana depois. Como a menstruação não veio durante todo esse tempo, eu resolvi vir até aqui. Será que é normal atrasar tanto assim?

_Pode acontecer. Espere mais duas semanas, se nada mudar, volte aqui. Faremos alguns exames para saber se será necessário tomar hormônios.

_Hormônios??? -ela se assustou.

_Em alguns casos é necessário.

Barbara saiu do consultório desolada, sabia que se tivesse que tomar hormônios provavelmente engordaria, e ela não queria engordar.

Durante as duas semanas nas quais ficou esperando pela menstruação, ela só conseguia pensar nos hormônios e exames. Estava realmente preocupada porque a menstruação não tinha descido. "E se tivesse problemas com o seu corpo? E se não pudesse engravidar no futuro?" A cabeça dela estava cheia de perguntas e as respostas só viriam com a nova ida ao médico.

Na segunda vez que foi ao consultório, ele pediu que Barbara fizesse um batalhão de exames, incluindo o de sangue e o de gravidez. E foi o que ela fez.

Na semana seguinte, levou todos os resultados para o médico. O clima no consultório estava demasiadamente tenso. Enquanto ele lia os resultados em silêncio, com o semblante de preocupação, Barbara, nervosa, começou a roer as unhas.

_Alguma coisa errada, doutor?

_Não, nada errado. É só o seu exame de gravidez... deu positivo. -deu a notícia friamente.

_Positivo? -Barbara saltou da cadeira. _Não pode ser, eu tomei pílula antes de qualquer relação, não esqueci de tomar um dia sequer!

_Mas está aqui. Positivo.

_Não pode ser! -disse nervosa, suando frio. _Tem que haver um erro.

_Não. Esses exames são bastante precisos, você está realmente grávida.

_Deus! Como? Doutor, eu tomava pílula. Não, não e não, eu não aceito esse exame.

_Você pode fazer outro, tentar outro laboratório, mas te garanto que receberá o mesmo resultado.

Barbara abaixou a cabeça e pensou: "Deus, não pode ser."

_Você não esqueceu mesmo de tomar?

_Claro que não. Eu sempre me cuidei, nunca esqueci.

_Então não sei que explicação te dar.

_Droga! Eu não acredito! Eu preciso descobrir onde está o erro. -ela mordeu o lábio e perguntou ao médico: _Você ouviu falar em mais algum caso de pílulas de farinha?

_Não. O último caso foi em 98, mas se você acha que pode ser isso, é melhor procurar um bom advogado e entrar em contato com o laboratório que fabrica o medicamento.

_Ai, minha mãe vai me matar. -lamentou.

Barbara saiu do consultório aos prantos e foi direto para a casa de Sabrina. Quando ela abriu a porta e viu o desespero da amiga, logo perguntou o que estava acontecendo.

_Eu não tenho problema no útero, eu não estou com problema hormonal... Eu estou grávida! -soluçava.

_Como assim? -Sabrina perguntou com os olhos arregalados.

_E você acha que eu sei? Eu tomei pílula antes de transar com o Isaac.

_E antes de transar com o Taylor?

_Também!!!

_Então, como foi acontecer...?

_Só tem uma explicação: malditas pílulas de farinha!

_Nem pense nisso, seria horrível.

_O que mais poderia ser? Sabrina, eu estou desesperada. Tenho que falar com o laboratório, contar à minha mãe, arrumar um advogado, e o pior: contar ao Isaac! Ele vai me odiar, ele já não me ama mais, não vai aceitar isso. -ela não conseguia parar de chorar.

_Não, Barbara, fique calma, ele vai te aceitar de volta.

_Não quero que ele me aceite só por causa do bebê... E se ele não me aceitar?

_É um risco que você corre.

Muito abalada, Barbara voltou para casa. Marília, ao ver a feição preocupada da filha, percebeu que alguma coisa estava muito errada. Barbara foi direto para o seu quarto, não estava a fim de conversar, mas sua mãe foi atrás para saber o que estava acontecendo. Quando Barbara contou o motivo do choro, Marília começou a chorar também. E quando decidiu falar, aumentou o tom da voz, como uma maneira de estravazar.

_Mais uma vez eu digo: Esse pop star estragou sua vida! Agora você está aqui sem ele, sem dinheiro, e grávida! E já que essas malditas pílulas falharam é bem capaz dele jogar na sua cara que esse filho não é dele.

_Ele não pode fazer isso. -disse Barbara chorando.

_Claro que pode. Será que você já se esqueceu que transou com o irmão dele também?

Barbara caiu na real. Percebeu que seu problema era ainda mais grave. Marília estava coberta de razão, ela não podia ter certeza que o filho era de Isaac. Contava apenas com seu sexto sentido, que sempre lhe dizia sim, o filho era de Isaac.

_Barbara, você não pode entar em contato com esses meninos. Se essa história for parar nos jornais, você vai ficar mal falada igual a Luciana Gimenez, a grávida do Mick Jagger. Se quiser ter esse bebê, vai cuidar dele sozinha.

_Você não pode me obrigar a fazer isso. Eu vou ligar para o Isaac, sim. Não fiz esse filho sozinha e, portanto, não vou assumi-lo sozinha!

_Você vai se humilhar? Não basta o que você já passou? Já criou muita confusão para você e para eles, deixe esse rapaz onde ele está.

_Eu vou falar com ele. -Barbara estava decidida.

_Então não conte com o meu apoio para coisa alguma. Se você ligar para ele e ele não te aceitar, ficará sem nada. A escolha é sua.

_Mãe, logo você dizendo isso? -Barbara olhou para ela, chorando.

_Nunca aprovei esse seu relacionamento com o tal Hanson, e não vou mudar meu pensamento agora.

_Ele vai me aceitar, mãe.

_Não, Barbara, se ele aceitar algo, vai ser somente seu filho.

_Você não pode saber. -Barbara calou-se. _Se ele não me quiser de volta, você vai me expulsar de casa?

_Jamais faria isso, mas os cuidados com o bebê serão só seus.

Marília já estava de saída, mas antes, falou:

_Seu pai vai ficar muito decepcionado com você. Me dê a cartela da pílula, vou ligar para o laboratório, reclamar, e entrar em contato com o advogado. Precisamos correr atrás para acertar isso. Por culpa desse laboratório, você está grávida.

Barbara passou o resto do dia chorando e no final da noite ligou para Tulsa no intuito de falar com Isaac. Diana atendeu o telefone.

_Senhora Hanson? Aqui é a Barbara, namorada do Isaac... Ou melhor, ex-namorada. Lembra-se de mim?

_Claro que sim. Como vai? Parece resfriada.

_Na verdade, eu não estou bem mesmo. Eu poderia falar com o Isaac?

_Sim. Vou chamá-lo.

_Obrigada.

Depois de ser avisado sobre o telefonema, Isaac pegou o telefone no seu quarto. "O que será que Barbara queria? Fazer as pazes?" Isaac estava pensativo. Ainda chatedo com ela, atendeu com um "Alô" desanimado.

_Ike? -disse no mesmo instante que começou a chorar. _Sei que não devia estar te pertubando, mas a causa é urgente, e mal ou bem é do seu interesse.

Isaac ficou apenas escutando a chorosa Barbara falar:

_Eu fui ao médico hoje, e ele me deu uma notícia que ao mesmo tempo é boa e ruim...

_O quê? -perguntou secamente.

_Eu estou grávida! -disse de uma vez só, evitando rodeios.

_O quê??? -Isaac perguntou totalmente espantado. _Mas você não tomava pílulas?

_Tomava, estava em dia, tudo certo, mas isso aconteceu porque as pílulas eram falsas, feitas de farinha. É a única explicação... Isso já tinha acontecido antes com algumas mulheres.

_Pílulas de farinha?!? -Isaac debochou. _Ninguém toma pílulas de farinha!

_Ike, não duvide de mim. Estou grávida, não estou mentindo.

_Não estou duvidando, mas por que você está me contando tudo isso?

_Como assim por quê??? O filho é seu!

_Você não pode dizer isso. Você transou com Taylor, o filho pode ser dele também! -disse alterado.

_Você está me insultando! É claro que o filho é seu, eu sinto isso.

_Sente isso? Barbara, você não pode saber, só depois de fazer um teste.

_Não preciso de teste, sei que o filho é seu.

_Olhe, Barbara, vou colocar o Taylor na linha e a gente conversa a três porque o assunto também diz respeito a ele. -Isaac estava sendo arrogante e difícil de lidar.

_Eu até posso conversar com o Taylor, mas não vou querer você na linha.

_Por que não? Seu casinho com ele continua? Algum segredo que eu não possa saber?

_Deixe de ser babaca, Ike. Quero conversar com ele em privacidade, sem você para dar palpites e encher a cabeça dele com besteiras. Esse é um assunto sério.

_Vou chamar Taylor para uma conversinha particular muito agradável com você. -debochou.

Taylor atendeu o telefone em outro cômodo da casa, e Isaac desligou.

_Barbara? Meu irmão disse que era importante. Aconteceu algo errado?

Barbara contou tudo à Taylor nos mínimos detalhes. E a história das pílulas de farinha o deixou boquiaberto. Concordou que era uma tremenda sacanagem venderem qualquer tipo de medicamento falsificado.

_E agora, Barbara? Você já decidiu o que vai fazer?

_Tay, o Ike não quer acreditar que o filho é dele. Ele está sendo incompreensivo.

_Mas, Barbara, o filho pode ser meu, não pode?

Barbara disse baixinho:

_Pode.

_Então, vamos fazer um teste e descobrir de quem é esse filho. Se for meu, mesmo me considerando jovem demais, vou assumí-lo. E se for do Isaac e ele não quiser te ajudar, pode contar comigo também.

_Taylor, eu concordo em fazer o teste, mas já tenho certeza que é do Ike. Eu o amo, o filho é dele. -Ignorando o fato de que amor não era suficiente para provar coisa alguma.

_Tomara que seja. Não que eu queira ficar livre disso, mas seria melhor mesmo... De repente vocês até voltam a ficar juntos.

_O Isaac não me quer, e muito menos vai ficar comigo só por causa da criança. Ele nunca vai me aceitar de volta.

_Claro que vai, já disse mil vezes: O Ike tem o coração mole. Qualquer um nessa casa consegue perceber que ele está sofrendo com a sua ausência.

_Está sentindo a minha falta? Jura? -Barbara ficou feliz por um breve momento.

_É o que parece.

_Que bom! -conseguiu sorrir. _Tomara que você esteja certo. Tay, chama o Ike novamente? -ela pediu, sem graça. _Quero escutar a voz dele de novo.

_Vou chamá-lo. Espere um pouco. Se cuida, viu?

Isaac atendeu o telefone um pouco depois.

_Fale, Barbara. Conversou com Taylor e deu a notícia? -implicou.

_Ele também concordou em fazer o teste de paternidade, embora eu já saiba que o filho é seu.

_Saber, você não sabe, você desconfia.

_Ike, esse filho foi feito naquela noite na qual fizemos amor 5 vezes... na sua cama.

Isaac, que estava sentado naquela mesma cama, lembrou-se daquele momento. Sentiu um aperto no coração, mas quis ser durão, e então, perguntou friamente:

_Você tem outra coisa para me dizer ou é só isso?

_Isaac! -ela aumentou a voz. _Não acredito que você possa ser tão frio e insensível diante dessa situação.

_Olhe, Barbara: Primeiro, não sei se esse filho é meu. Segundo, não pedi para ter esse filho! -ele foi frio novamente.

_Mas, Ike... Quer dizer que se esse filho for seu você não vai aceitá-lo? -perguntou chorando.

_Barbara, vamos fazer o teste, depois do resultado a gente conversa. Vou falar com os meus pais. Arrumaremos um jeito de fazer esse teste logo.

_Ok, Ike. Só não esperava que você fosse me tratar assim... -lamentou.

_O que você queria, Barbara? Acha que esqueci a traição? Não. Aquilo ainda está na minha mente.

_Ike, eu não posso mudar o passado, e agora nosso problema é outro.

_Como eu ainda não esqueci o problema anterior, agora temos dois.

_Como você quiser, Ike...-estava bastante triste. _Preciso desligar, não vou ficar sendo agredida por você. Não esqueça de resolver o negócio do teste.

_Pode deixar, eu também quero acabar logo com essa história.

Assim que desligaram o telefone, Isaac começou a chorar. Tinha fingido ser forte durante toda a conversa com Barbara, mas, na verdade, não era forte o suficiente para aguentar aquilo. Não queria ter sido tão grosso e estúpido com ela, mas nunca aceitaria a traição. Esse tinha sido o motivo de sua arrogância. Sabia que o filho podia ser de Taylor, e, ao pensar nessa possibilidade, sentiu nojo. Imaginou dentro de Barbara uma cópia do irmão. E chorou mais ainda ao pensar nisso. Isaac não ia aguentar mais uma apunhalada se o filho fosse realmente de Taylor.

Diana entrou no quarto de Isaac e o encontrou em lágrimas.

_Mãe? -olhou para ela.

_Não fale nada, meu filho. Abrace-me. Taylor já me contou tudo.

_Mãe, eu não quero que esse filho seja dele. Eu não vou poder suportar.

_Pensou direito, não é, Ike? Quer Barbara de volta...

_Não, não e não.

_Continua negando e sofrendo. E então, por que faz questão que o filho seja seu?

Isaac calou-se. Era óbvio que amava Barbara e a queria de volta, mas seu orgulho extremo não permitia que ele admitisse isso.

_Não precisa me responder, filho, eu sei o que está pensando.

Isaac soltou-se dos braços de sua mãe e, olhando-a nos olhos, falou:

_Esse filho não pode ser do Taylor, não seria justo. Taylor nunca amou Barbara. Não posso imaginar os dois juntos cuidando de um bebê... Se esse filho for do Taylor, eu vou sumir, e nunca mais vou olhar na cara dele. Ele transou com a minha noiva... Não é possível, não quero acreditar que além de tudo a engravidou. -ele disse com raiva.

_Isaac, calma. Você está sofrendo por antecedência. Quando seu pai voltar de Miami, vou pedir a ele que acompanhe vocês até o Brasil para resolver tudo isso.

_Mas e a imprensa? Se alguém souber que vamos para o Brasil...

_Eles vão achar estranho se souberem, mas Zac vai junto, e vai dar tudo certo. Vão achar que vocês estão indo ver suas namoradas, afinal, ninguém sabe que vocês não estão mais com elas.

_Mãe, eu adoro você.

_Também te adoro, Ike. Vê se fica menos paranóico, e deixe para se preocupar com seu filho quando tiver certeza de que ele é realmente seu. Esquece a possibilidade de ser do Taylor também... pelo menos por enquanto.

_Mas é difícil. Imagine, Taylor com Barbara...

_Ike, acorde! Mesmo que o filho seja do seu irmão, ele e Barbara não ficarão juntos, eles não se amam. Na verdade, o que está te preocupando é outra coisa: Você teme que esse filho seja do taylor porque não quer pensar em ficar mais distanciado da Barbara. -Diana olhou para ele. _Não é verdade?

_Não, não é verdade. -ele desviou o olhar.

_Ah, Ike, eu entendo seu jeito durão. Quando for para o Brasil, tente tratar Barbara direito.

_Vou tentar.

_Eu sei que você consegue. O jeito que você está agindo agora, não é o jeito do Isaac que eu conheço. -ela o abraçou. _Vou buscar Avery e Mackenzie numa festinha aqui perto. Fique de olho na Zoe, por favor.

_Tudo bem, mãe.

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