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#018 | Conversas seguintes

Barbara foi a última a acordar ao meio dia. Percebeu que a casa estava vazia, quieta, a não ser pelo som de "Creedence Clearwater Revival" que vinha da sala. Atraída pela música, Barbara desceu. Quem estava lá escutando aquilo era Isaac. Com medo de tomar um fora, evitou falar com ele. Como não se sentia à vontade para abrir a geladeira e se servir com alguma comida, voltou para o seu quarto. Depois de pensar um pouco, mudou de idéia. Não sobre abrir a geladeira, mas sobre Isaac. As coisas tinham que mudar. Desceu novamente e se posicionou em pé diante dele, que estava no sofá.
_Vamos parar com isso? -disse com a voz trêmula.
Isaac levantou os olhos, cantando "Have you ever seen the rain", como se não estivesse interessado no que ela estava falando.
_Ei, Ike! Preste atenção!
_Fale, estou escutando. -disse rápido.
_Pare de cantar e me escute.
Isaac desligou o som com o controle remoto. Barbara começou a falar novamente.
_Isaac, eu sei que você não vai querer me desculpar agora, mas quero saber se algum dia você será capaz. Sabe, se não for possível aceitar minhas desculpas, tentarei esquecê-lo, não quero sofrer mais do que estou sofrendo.
_Barbara, como você acha que me sinto? Eu gostaria de poder te perdoar, mas não consigo. O que você fez foi muito sujo. Você se entregou ao Taylor. Eu não posso aceitar isso. -parecia calmo.
_Ike, eu já disse, estávamos bêbados!
_Continuo sem conseguir aceitar. Estou sofrendo muito com isso, ainda mais porque continuo te... -Isaac calou-se, não podia dizer que ainda a amava.
Barbara ajoelhou-se de frente para ele, bem perto.
_Continua o que? -ela jogou charme.
_Pare com isso. -Isaac escapou. _Não fique achando que vai conseguir fazer com que eu esqueça tudo só com esse seu jeitinho... -Isaac calou-se de novo.
_Me dê uma nova chance. -pediu com os olhos cheios d'água.
_Não posso. Agora, se não se importa, gostaria de ficar sozinho.
_Tudo bem.
Barbara saiu de perto dele, chorando, e foi para o lado de fora da casa. Estava vendo o seu relacionamento com Isaac ruir e não podia fazer nada. Taylor entrou em casa pelo portão da frente e viu Barbara chorando.
_O que houve?
_Nada. Tentei falar com Isaac, mas ele nem deu bola pra mim, disse que não pode me perdoar.
_Ih, ouvi isso ontem da Belle. Parece que estamos mesmo fudidos.
_Merda, merda, mil vezes merda! Eu quero o Isaac! -Barbara gritou.
Isaac escutou o grito e fechou os olhos. A imagem que veio-lhe à cabeça foi a do último beijo que deram. Tratou de tirar aquilo da mente e voltou sua atenção para a música.
Taylor e Barbara continuavam conversando no jardim.
_Calma, Barbara, quando vocês voltarem para o Brasil e todos nós ficarmos longes um do outro, as coisas vão melhorar. O tempo costuma apagar e curar as dores.
_Acho que não, acho que o tempo dessa vez vai contribuir para que cada resquício de amor vá embora para sempre.
_Não fale isso, se a Belle me esquecer, eu morro. Temos que arrumar um jeito de ficarmos juntos mais tempo.
_Não dá. Acho que desta vez nossa despedida será para sempre, menos para Zac e Sabrina.
_Não! Eu não aceito isso. Vamos pensar em algum coisa para ficarmos juntos. Você quer o Ike de volta, não quer? Pense em algo para trazê-lo de volta!
_Não consigo pensar em nada. Ike me odeia, quer me ver longe.
_Calma, tudo vai dar certo.
_Mudando se assunto: Onde está o resto do pessoal? Estranhei a casa vazia logo cedo.
_Foram todos para a casa do Bill, ele finalmente voltou para Tulsa. Se lembra da casa dele em Angra?
_Como poderia me esquecer?
_Pois é, ele está morando lá direto... Está aposentado e lá é o lugar perfeito, o paraíso. Ele voltou para Tulsa, para resolver uns problemas, e logo voltará para o Brasil.
_Poxa, estou com saudade do Bill... Tem algum jeito de vê-lo hoje?
_Se você quiser, eu te levo lá. É aqui pertinho, podemos ir andando.
_Ele não estranhou o fato de nós quatro; eu, você, Ike e Belle não termos ido com seus pais para lá?
_Deve ter estranhado, mas aposto que o papai não disse nada, e se ele perguntar, basta permanecermos calados. Quer ir até lá, então? Acho que todos vão ficar para o almoço.
_Vamos... mas e o Ike?
_Esqueça o Ike por 1 segundo! Deixe ele quieto, ele sabe o caminho, se quiser, ele irá até lá. Além do mais; ele não ia mesmo querer ir com a gente.
Taylor e Barbara chegaram na hora certa, o almoço estava começando a ser servido. Bill e Monica perguntaram por Isaac e Isabelle e Walker respondeu que ambos estavam em casa. Um pouco depois de Taylor e Barbara saírem, Isabelle chegou na residência dos Hanson para falar com Isaac.
_Que bom que veio, Belle, não tínhamos nos falado direito depois da confusão... Chamei você para conversarmos um pouco.
_Só aceitei vir porque você disse que estava sozinho. Onde estão todos? - perguntou, ao perceber a casa vazia. Na verdade, queria saber de Taylor.
_Barbara estava lá fora no jardim, da última vez que escutei a voz dela, e os outros foram para a casa de Bill.
_Bill? Ele está aqui em Tulsa? -ela sorriu.
_Sim.
_Que legal! Ah, e para sua informação; Barbara não estava no jardim.
_Não??? -ele se espantou.
_Não.
_Mas como? Ela estava gritando como uma louca: "Eu quero o Isaac!".
_Devia estar conversando com alguém...
_Só se fosse com aqueles estúpidos anões de gesso que enfeitam o jardim! Bem, ela deve ter saído para dar uma volta... mas quem se importa?
_É... Vamos até a casa de Bill?
_Agora? -Isaac não se mostrou disposto.
_Já vi que não quer ir... Tudo bem, ficaremos aqui. Mas e então, Barbara já tentou falar com você?
_Tentou, mas eu disse que não ia perdoá-la.
_Eu disse o mesmo para o Taylor quando ele foi se humilhar lá no hotel.
_Belle, me responda uma coisa, sinceramente: Você ainda ama o Taylor?
Ela calou-se por um segundo, mostrando-se em dúvida, e depois respondeu rapidamente:
_Claro que não! Não sinto mais nada por ele que não seja asco!
_Eu não acredito nisso. Eu até tento não sentir nada pela Barbara, mas quando ela se aproxima...
_Ike, deixe de ser otário, você vai acabar se ferindo mais.
_Eu sei, Belle, eu vou tentar me afastar dela, não quero isso pra mim. Chega de sofrer. Eu não a perdoarei.
_Eu nunca vou perdoar o Taylor, mas pelo visto, seu coração mole, logo vai acolher Barbara novamente.
_Claro que não! -Isaac levantou a voz, ao retomar sua lucidez. _Eu também não sinto mais nada pela Barbara. -mentiu. _Transar com meu irmão foi demais pra mim.
_Viu? Eu sabia que você não estava falando sério! Eles não merecem nossos perdões. Eu percebi desde que estávamos em Orlando, no Epcot Center eles estavam de casinho...
_Belle, não vamos retroceder tanto, naquela época eu acreditava na Barbara. Estou falando de hoje, do presente... Eu até acredito que eles estavam realmente bêbados, mas isso não justifica, não diminui a minha raiva! Sabe do que mais: Vamos para a casa do Bill, pelo menos lá não corremos o risco de encontrarmos com eles.
_Ué, o Tay não está lá?
_Não. Pelo que eu fiquei sabendo, ele foi cedinho para a casa do nosso amigo Andy. Deve ter ficado por lá para o almoço, assim espero. E Barbara deve estar por aí, na rua... Eu não me importo com ela, por mim, ela podia estar no inferno!
_Ela vai pro inferno. Pode ficar tranquilo.
No caminho, em direção à casa de Bill, Isaac e Isabelle falaram mal dos exs o tempo todo, o que mostrava que ainda se importavam. De um lado, a raiva, do outro, o amor, e por fim, no meio, a razão. Isaac e Isabelle não tinham perdido-a; perdoar Taylor e Barbara não seria possível.
Ao chegarem na casa de Bill, deram de cara com os dois. Ignoraram a presença deles e foram cumprimentar os donos da casa. Sem saber de nada, Bill fez uma brincadeira:
_Eu jurava que era o contrário: Isabelle e Taylor, Barbara e Isaac, mas o mundo está tão liberal ultimamente...
Todos sorriram amarelo.
Passaram uma tarde agradável, mesmo com os problemas recentes. Não trocaram palavras, nem por um segundo, mas o ambiente da casa de Bill era muito melhor do que o da casa deles nos últimos dias.
À noite, juntos na sala, Bill perguntou para as garotas:
_Quando voltarão para o Brasil?
_Amanhã. -respondeu Sabrina.
_Eu vou ficar mais uma semana em Tulsa e depois voltarei para Angra. Podemos nos encontrar lá novamente. O que acham?
Ninguém respondeu imediatamente, mas um tempinho depois, Barbara disse:
_Bill, não acho que seja uma boa idéia.
_Por que não? Ia ser legal irmos todos juntos para Angra de novo. Os meninos podem ir comigo na semana que vem e ficar até um pouco antes da gravação começar... Vocês, garotas, podem ficar lá até o fim das férias.
Isaac coçou a cabeça.
_Não vai dar, Bill, desculpe por não aceitarmos, mas vamos estar muito atarefados antes da gravação.
_Poxa. -Bill ficou decepcionado. _Queria ver minha casa cheia de alegria novamente... Bem, apareçam quando der então.
_Pode deixar. -disse Taylor. _Isso não vai demorar. -quis ser otimista.
Diana e Walker tinham entendido bem a decisão dos filhos. Seria desgastante permanecerem juntos em Angra, fingindo que estavam bem, quando na verdade estavam todos chateados uns com os outros. Taylor até gostaria de ir, para tentar se reaproximar de Isabelle, mas percebeu, pela cara dela, que não seria uma boa idéia.
Naquele mesmo dia, jantaram na casa de Bill. Isso fora uma exigência dele: Não queria que os amigos fossem embora. Depois do jantar, chamou Walker para beber com ele e Diana e Monica ficaram conversando. Isaac e Isabelle foram para o jardim, não queriam continuar perto de Taylor e Barbara, já tinham convivido o suficiente por um dia só.
Taylor aproximou-se de um piano de cauda que estava na sala e se posiciou diante dele. Começou a tocar e cantar Madeline: "Out my window, a memory, I'm dying inside..."
E a melodia espalhou-se por todos os ambientes.
_É "Madeline"! -disse Isabelle ao escutar o refrão. _Taylor está cantando. Não vou voltar para lá até que isso acabe.
_Não vai ter jeito, você vai ter que escutá-lo daqui de fora.
_Droga! Eu não suporto mais escutar a voz desse menino!
_Nesse ponto sou mais sortudo que você... Pelo menos a voz da Barbara não vai aparecer nas rádios a cada 1 hora!
Ficaram calados escutando "Madeline". Uma onda de depressão invadiu Isabelle.
_Ike, eu não entendo porque tudo na minha vida sempre dá errado. Eu sempre sou um fracasso. Por que eu tive que escolher logo o Taylor? Com tantos garotos livres por aí, fui me apaixonar justamente por ele! Isso não é justo!
_Ah, Isabelle, não fique assim, ou eu vou acabar chorando. Olha, Taylor é um bobão, criança, você não devia ter esperado muito dele.
_Mas eu não esperava... Sempre mantive os pés no chão, mas ele vinha com aquele jeitinho e me convencia de que me amava. Agora eu estou aqui,sozinha, como sempre.
_Não fale assim, eu também estou sozinho. E estamos sozinhos pelo mesmo motivo.
_Tá, tá, tá, pare por aí, não quero me lembrar disso! A única coisa que quero é ir embora para o Brasil, voltar para a minha casa.
_Calma, amanhã vocês vão voltar.
_Voltar no mesmo avião que a Barbara!
_E eu? Pelo menos você só terá que voltar com ela no avião, no Rio, vocês vão se separar... Eu não, moro no mesmo lugar que o Taylor, vou ter que vê-lo todos os dias! Tenho que trabalhar com ele no novo cd... Nem sei se vou conseguir, provavelmente não.
_Hmmmm, que droga! -Isabelle franziu a testa. _A imprensa vai perguntar um monte de coisas se o cd que estava programado para o início desse ano não sair.
_Eu nem quero pensar nisso, já tivemos problemas demais com a imprensa no ano passado.
_Mas com todos os problemas que a imprensa nos trouxe, éramos felizes naquela época.
Uma chuva fina começou a cair, e Isabelle e Isaac resolveram entrar. Taylor, ao ver os dois na sala, começou a tocar "I will come to you", sabia que era a música preferida de Isabelle. Ela sentou no sofá de frente para Isaac, controlando o choro.
Barbara, sentada em um outro sofá, olhou para Isaac e manteve seu olhar nele. Isaac percebeu, e virou o rosto fingindo que ela não estava ali.
O clima naquela sala estava tenso demais, e para acabar com aquela tensão, Diana, Walker, Bill e Monica chegaram no recinto. Era a hora de irem embora. Despediram-se e tomaram o rumo de casa, e Isabelle, sozinha, foi para o hotel.
O telefone tocou na residência dos Hanson, e Zac correu para atender. Era Andy, amigo deles.
_Oi, Zac, posso falar com o Taylor?
_Ele está no banho, quer deixar recado?
_Diz pra ele me ligar assim que acabar. Vai ter uma festa na casa de uma amiga minha, queria que ele fosse. Quer ir também?
_Não, eu estou muito cansado. Mas pode deixar, direi a ele que você ligou. Tchau.
Quando Taylor saiu do banho, Zac deu o recado. Taylor não se animou muito, mas ligou para Andy, ainda enrolado na toalha.
_Oi, Andy, Zac disse que você ligou e falou de uma festa...
_É, vai ter uma festa na casa de uma amiga minha, está a fim de ir? Vai ter um monte de garotas...
Taylor interrompeu:
_Não, não quero não, não estou no espírito. Você sabe dos ultimos acontecimentos da minha vida, prefiro ficar quietinho aqui. De qualquer forma, valeu pelo convite.
_Vai ficar aí triste? Qual é, Taylor, vai ficar trancado no quarto pensando em Isabelle??? -Andy falou como se Isabelle não fosse importante.
Taylor se irritou:
_Andy, eu gosto da Isabelle, não vou sair com você para pegar uma mulher qualquer e maltratar a pessoa que eu amo mais uma vez!
_Para quem já traiu com a namorada do irmão, trair com uma qualquer, é fácil!
_Cale a boca! -Taylor gritou. _Não preciso dos seus conselhos idiotas. Eu praticamente acabei com a minha vida e você me vem com essa? Tenho que ir, só volte a me ligar quando tiver algo decente à dizer. Se tem algo que vou fazer hoje, é voltar ao hotel para falar com Isabelle, vou tentar de novo.
_Tchau, Taylor, você não é mais o mesmo: Pegou a doença do Isaac. Romantismo só faz as pessoas sofrerem, e parece que é isso o que você quer.
_Me deixa, Andy. Tchau.
Isaac estava na garagem, limpando o estofamento do carro novo, quando, pelo retrovisor, viu Barbara se aproximar. Ela o chamou:
_Ike?
_Fala. -disse de costas pra ela, ainda limpando o carro.
_Por que você continua me tratando desse jeito?
_O que você acha? -disse, ainda de costas.
_Isaac, você não pode ficar assim por causa de uma coisa que não significou nada.
_Pode não ter significado para você, mas para mim significou muita coisa. Não é fácil conviver com isso, onde quer que eu vá a imagem de vocês dois juntos não sai da minha cabeça.
_Mas você nem viu nada...
_Ainda bem, se sem ver, eu já imagino, se tivesse visto, realmente estaria morto!
_Olhe para mim, eu não sou invisível.
_Pra mim é. Não aceito traição.
Isaac, que estava agachado de costas para Barbara, limpando o banco traseiro, sentiu mãos delicadas tocando seus cabelos e em seguida seus ombros.
_Você ainda me ama? -Barbara perguntou.
Isaac fechou os olhos e respirou fundo, tirou forças de dentro de si para dizer não.
_Saia daqui, já te mostrei que não te amo mais.
_Mentira.
Isaac se levantou, ficou de frente para ela, e, olhos nos olhos, disse:
_Não é mentira, não te amo mais. Eu não merecia o que você fez comigo. Está convencida agora de que não te amo mais?
_Não. Essas coisas não acabam assim, você me ama, mas não quer admitir.
_Pense o que você quiser, mas me deixe em paz.
_Eu vou te deixar, amanhã volto para o Brasil e nunca mais vai precisar me ver. Pense nisso, Isaac, nunca mais nos veremos.
Isaac olhou para o chão. Barbara continuou:
_Você estará livre de mim, mas por dentro, queimará sentindo minha falta. Eu sei disso, posso ver nos seus olhos. -Barbara levantou a cabeça dele.
_Não sentirei sua falta, vou ficar aliviado quando estiver longe de você.
_Não tente me convencer disso... Eu te amo, Isaac! Nunca deixei de te amar! Nunca! Você foi e sempre será o único pra mim.
Barbara aproximou-se ainda mais, e o beijou delicadamente nos lábios. Isaac correspondeu ao beijo, agarrando Barbara com força, como da primeira vez que estiveram juntos. Depois de um tempo, ele a largou, levou uma de suas mãos até a boca e disse:
_Não tente fazer isso novamente.
_Por quê? Você gostou. Guarde esse beijo na memória, ele foi o último.
Barbara saiu da garagem, e Isaac ficou sozinho novamente. Chutou a parede com força, liberando sua raiva, e depois sentou no chão, chorando. Ele não tinha conseguido resistir aos apelos dela, não totalmente, e sentia-se um idiota por isso.
Taylor foi até o hotel mais uma vez. Em seu íntimo, sabia que não seria aceito por Isabelle, mas tinha que tentar encontrá-la e fazê-la entender. A recepcionista deixou que ele subisse sem avisar. Ao ouvir a campainha, Isabelle se assustou, não estava esperando ninguém. Ao ver que era Taylor, abriu a porta, mas não deixou que ele entrasse em seu quarto.
_O que você veio fazer aqui agora? Está tarde!
_Vim te ver. -disse baixinho. _Estava com saudade.
_Que cara de pau! Cai fora!
_Isabelle, vamos parar com isso, estou implorando... Vamos esquecer o que aconteceu.
_Não, o que você está me pedindo é impossível. Você tem é que esquecer o fato de que eu existo, porque eu já te esqueci.
_Belle, eu não consigo tirar você da minha cabeça, preciso de você ao meu lado. Não vá embora, não me deixe, por favor. -Taylor a encarou com lágrimas nos olhos. _Já não basta o que você está me fazendo passar?
_O quê??? - Isabelle levantou a voz. _Você me trata mal e agora vem se fazer de santo??? Se você está sofrendo, isso é problema seu, fique com seu sofrimento e me deixe em paz!
_Deixe eu entrar, para conversarmos com calma.
_Não dê nem um passo à frente.
_Então, vamos dar uma volta?
_Nem meia volta. Quero que você vá embora!
_Eu não vou, enquanto você não me perdoar.
_Então pode ficar aí até o fim de sua vida. Você já devia ter aprendido a lição, não devia ter voltado aqui. Vim para cá para ficar longe de você, e todo dia você volta como um iô-iô. Vê se me esquece! Não sou mais sua namorada, e nem mesmo amiga, pra mim você morreu!
Cada vez que Isabelle falava palavras de rejeição, Taylor sentia como se estivesse sendo apunhalado. Doía muito ver Isabelle, a garota que ele amava, tratando-o daquele jeito.
_Eu vou embora, para sempre, como você quer.
Taylor desceu para ir embora, mas ao chegar na porta do hotel, constatou que chovia muito. Seria impossível sair de lá, principalmente porque estava sem carro. Pediu para usar o telefone da recepção e ligou para casa. Tentou convencer o pai a ir buscá-lo, mas Walker disse que era imprudente sair de casa àquela hora e com aquela chuva. Ordenou ao filho que não saísse de lá até que a chuva parasse. Taylor ficou um tempo no hall do hotel, esperando, mas a chuva caía cada vez mais forte. Cansado de ficar sentado num sofá, ele pediu um quarto e subiu para descansar. A primeira coisa que fez foi ligar para Isabelle.
_Alô? -atendeu Isabelle com voz de sono.
_Belle, sou eu, Taylor.
_Hã? Eu disse para você não me pertubar. Onde você está?
_Estou num quarto aqui do hotel. A chuva não me permitiu sair, e meu pai disse para eu ficar.
_Você armou tudo, não é, Taylor? Fez tudo isso para ficar aqui me enchendo!
_Não fique irritada, não fiz de propósito. Você acha que sou culpado pela chuva? Não sou Deus...
_Nem poderia ser, depois de tudo que fez.
Taylor ignorou o comentário de Isabelle e perguntou:
_Posso ir até o seu quarto?
_Claro que não! Estou cansada e quero dormir, você devia fazer o mesmo.
_Não posso dormir, não consigo parar de pensar em você.
_Você não pensou em mim quando estava com a Barbara.
_Belle, me escute, aquilo já passou.
_Não para mim. Se você é insensível, eu não tenho culpa. Tenho que ir. Acordarei cedo amanhã.
_Não quero que você vá embora sem que a gente diga adeus um para o outro...
_Eu digo adeus, então: "Tchau". Já me despedi.
Isabelle bateu o telefone e Taylor ficou bastante chateado. Ao invés de telefonar novamente, decidiu ir até o quarto dela. Ao ouvir a campainha, Isabelle pensou: "Droga! Deve ser o Taylor, ele não desiste mesmo!" Abriu a porta falando alto e irritada:
_O que você quer, hein???
_Você. -ele respondeu encarando-a.
Isabelle calou-se, aceitando aquela resposta, como se o quisesse também. Depois de passar alguns segundos calada, ela disse:
_Fique querendo porque a recíproca não é verdadeira.
_Convença-me de que não é e eu sairei daqui. -ele a desafiou. _Eu quero você de volta, Belle, eu sei que você também me quer.
_Você não sabe de nada. Eu não te quero! Vá embora, você não é bem vindo aqui, eu estava tentando dormir!
_Eu também, mas... -Taylor foi diminuindo a voz.
_"Mas" o quê? -ela perguntou com raiva.
_Pensei que pudesse passar a noite aqui com você e fazer as pazes, voltar ao tempo em que tudo era perfeito...
_Nada mais é perfeito, você já devia ter notado.
_Ora, Belle, deixe-me entrar. -Taylor fez cara de pedinte, um olhar sedutor.
Isabelle olhou para Taylor, estudando cada detalhe dele. Fechou os olhos e imaginou-se beijando aqueles lábios que ela tanto adorava. Sorriu de repente, ainda de olhos fechados, como se estivesse sonhando acordada.
_O que está acontecendo? No que você está pensando? -perguntou Taylor.
_Hã? -disse Isabelle voltando à realidade. _Não estava pensando em nada.
_E então, vai me deixar entrar ou não?
Isabelle, sem pensar muito no que estava fazendo, disse para ele entrar.
Taylor não perdeu tempo, não falou nada e nem deixou Isabelle falar, fechou a porta e começou a beijá-la. Isabelle correspondeu aos beijos, esquecendo-se de tudo. Taylor subia e descia, com movimentos bruscos, suas duas mãos pelas costas dela. Isabelle o apertou com força, e não reclamou quando ele colocou uma das mãos sobre os seios dela. Taylor estava começando a tirar a camisa quando Isabelle caiu em si e se deu conta do que estava acontecendo. Ela se afastou, e disse, gritando:
_Não ouse encostar novamente seus dedos sujos em mim!
Taylor arregalou os olhos, assustado, escutando o que ela estava dizendo.
_Taylor, você é um monstro!
_Belle, eu não fiz nada que você não quisesse, você retribuiu aos beijos, aos toques...
_Não! Eu não retribui nada! Saia daqui, deixe-me em paz e suma da minha vida! Você é um conquistador barato, veio até aqui para me seduzir, me pedir desculpas me levando para a cama... Que tipo de garota você acha que eu sou?
_Você é o tipo de garota que me ama!
_Eu não te amo mais, já te amei, isso foi no passado, querido! Volte para o seu quarto, deixe-me dormir em paz!
_Eu vou embora, não tenho nada a fazer aqui, não posso impor que você me ame, não é? Pois bem, vou te deixar... vou tentar te esquecer.
Taylor virou as costas e saiu do quarto tomado por um sentimento vazio e triste. Estava realmente chateado com Isabelle. Ela estava tratando-o como um cachorro, e ele sabia que, apesar de tudo, não merecia ser tratado daquela maneira. Do seu quarto, ligou para o celular de Andy, e perguntou se a tal festa ainda estava de pé. Andy disse que bastava ir ao encontro dele. Taylor ajeitou a camisa e saiu do hotel em um taxi. No caminho, ficou pensando em Isabelle, e só com a freada, ao chegar ao seu destino, acordou de seus pensamentos. Taylor olhou o número da casa e certificou-se de que era ali mesmo, bastava entrar e se divertir. Ao encontrar Andy, chamou o amigo num canto e contou tudo o que tinha acontecido no hotel. Andy, sempre dando maus conselhos, disse para ele beber, pegar uma garota e esquecer, mas Taylor estava disposto a redimir-se de seus erros. Não ia beber, e muito menos ficar com garota alguma. A confusão com Barbara tinha sido suficiente. Ficou sozinho durante a festa toda, sentado num sofá. Invariavelmente alguma garota se aproximava para conversar, mas Taylor logo arrumava um jeito de livrar-se dela. Às 4 da manhã, saiu da festa, pegou um taxi e voltou para o hotel. Dormiu por mais duas horas e logo depois acordou: "Tenho que ir para casa, as meninas vão para o aeroporto e preciso ir também."
Ao chegar em casa, Taylor encontrou todos de pé, menos Isaac.
_Já estão de saída para o aeroporto? -ele perguntou.
_Estamos, vamos pegar Isabelle e depois vamos direto para lá. -disse Sabrina.
_Posso ir junto?
_Pode. -disse Walker. _Estão todos prontos? Já vamos...
Barbara olhou para as escadas que davam acesso ao segundo andar da casa e pensou em ir falar com Isaac, se despedir. Diana, percebendo a aflição dela, disse:
_Suba, Barbara, eu sei que você quer ir até lá.
_Não posso, Ike não vai querer me ver, se quisesse, estaria aqui.
_Você que sabe, mas eu subiria.
_Melhor não.
Saíram todos juntos na van de Walker. Pegaram Isabelle no hotel e foram para o aeroporto. Taylor encarou Isabelle durante todo o percurso, e Barbara, admirava a paisagem de Tulsa, como se visse Isaac em cada coisa.
No aeroporto, Zac e Sabrina foram dar uma volta, depois de fazer o check-in.
_Zac?
_Oi, Bina.
_Estou chateada. Não queria ver Isabelle e Barbara brigadas.. Vai ser chato ir no avião calada... e não é só isso, elas acabaram os respectivos namoros, agora tudo vai ser mais difícil, até mesmo para nós dois nos encontrarmos.
_Não diga isso, não seja pessimista. Claro que nos encontraremos. Tenho certeza de que em pouco tempo tudo voltará ao normal, todos voltarão a se falar. -Zac sorriu.
_Você acha mesmo?
_Tenho certeza. Palavra de Zac Hanson!
Taylor, sentado de frente para Isabelle enquanto ela esperava pelo vôo, não parava de encará-la. Ela fingia não reparar. Cansado de não fazer nada, ele se aproximou e a chamou para dar uma volta.
_Não quero.
_Por favor, Belle, eu preciso conversar com você antes que vá embora.
_Diga, pode dizer. -ela falou, lançando um olhar amedrontador.
_Belle, olhe bem o que você está fazendo... Você vai deixar as coisas como estão, vai deixar tudo inacabado... Vamos desperdiçar tudo o que já vivemos juntos, tudo o que sentimos um pelo outro... -ele respirou fundo, para não chorar. _Eu te amo, Belle, você não pode me deixar.
Isabelle o interrompeu e disse em voz baixa:
_Foi você quem me deixou quando se deitou com a Barbara. Você escolheu isso, Taylor Hanson, não eu. Eu não te perdoo porque você agiu mal, muito mal. -os olhos dela encheram-se de lágrimas.
_E o que eu preciso fazer para mudar as coisas? O que eu preciso fazer para você voltar a ser feliz?
_Você precisa... desaparecer. -ela falou baixo. Logo depois, arrependeu-se de ter dito aquilo, tinha sido muito rude com ele. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto. _Na verdade, nós dois precisamos desaparecer... O tempo costuma cicatrizar todas as feridas, a nossa parece não ter cura, mas nunca se sabe...
Taylor sorriu timidamente.
_Isso quer dizer que ainda tenho uma chan...?
Isabelle o interrompeu novamente:
_Não, isso não quer dizer nada, vamos apenas viver nossas vidas.
_Tudo bem, Isabelle, eu entendi tudo. Não esqueça que eu te amo e nunca vou deixar de te amar. Não importa o que aconteça.
Isabelle desviou o olhar, abaixou a cabeça, e começou a chorar rios de lágrimas. Taylor se afastou e começou a chorar também, andou para longe de tudo, e desapareceu no aeroporto.
A hora de voar para o Brasil tinha, enfim, chegado. Barbara estava deprimida demais por não ter se despedido de Isaac, mas quis acreditar que tinha sido melhor assim. Viu de longe a despedida de Taylor e Isabelle e percebeu o quão doloroso tinha sido.
Embarcaram às 10 daquela manhã fria de janeiro, deixando para trás muitas coisas, entre elas, os amores de suas vidas.
A família Hanson voltou para casa, e encontraram tudo em silêncio. Diana, que viera consolando Taylor durante todo o caminho de volta, foi acordar o filho mais velho. Entrou sem fazer barulho e abriu as cortinas, deixando a claridade bater nos olhos dele.
_Mãe? Que horas são?
_Muito tarde, 11:30.
Isaac raciocinou lentamente e disse:
_11:30??? -ele sentou na cama.
_Por que o espanto?
_As meninas já foram embora? -ele perguntou, preocupado.
_Você quer saber se Barbara já foi embora? Sim, ela já foi. -Diana sabia direitinho a preocupação do filho.
_Não quero saber da Barbara, quero saber da Isabelle e Sabrina.
Diana sentou ao lado dele na cama e segurou suas mãos.
_Não minta para mim, querido. Te conheço bem e sei que quer saber da Barbara. Sei que mesmo depois de tudo você ainda a ama. Não se culpe por isso, não a maltrate, e nem tente negar. O coração é assim mesmo.
_Eu não amo mais a Barbara.
_Ike, pare de mentir. -ela disse baixinho, colocando o cabelo dele para trás da orelha. _Eu não te acordei para se despedir dela porque...
_É, por que não me acordou? -Isaac parecia chateado.
_Ike, você não acabou de dizer que não se importa mais com ela?
Isaac começou a chorar.
_E não me importo mesmo. Ela me deixou mal, me tratou mal... Não preciso de alguém assim para ser minha namorada.
_Você que sabe, Ike, mas sei que ela te ama, te ama muito. Você precisava ver a carinha dela hoje de manhã...
_Ainda bem que não vi.
_Sei que você não pensa assim, isso vai mudar, você vai ver. -ela enxugou as lágrimas dele.
_Não conte com isso, mãe. Se depender de mim, as coisas não vão mudar. Quando ela rolou com Taylor no tapete, não pensou em mim. Agora, não vou ficar pensando nela.
_Você vai, Ike, pior que vai...
Diana se levantou e foi em direção a porta do quarto. Isaac a chamou:
_Mãe?
_O que, Ike?
_Está doendo muito, mãe, me ajude.
_Não posso, Ike, você é que tem que se ajudar, o perdão tem que ser seu, e não meu. Se você não perdoar Barbara, e não perdoar o seu irmão, vai ficar se maltratando e sofrendo por um bom tempo.
_Eu não posso perdoar dois traidores, dois Judas!
_Ike, vou fingir que não escutei o que você disse.
_Desculpe, mãe. Eu prometo que vou tentar perdoá-los, mas não posso garantir. Vai ser muito difícil, muito difícil, talvez impossível. -ele aumentou o tom de voz.
_Se você parar de pensar assim, vai ser mais fácil. Saia desse casulo que você construiu à sua volta para se proteger, encare as dificuldades. Taylor está tentando, mas você não.
_Mãe! Taylor é o traidor, não eu, para ele deve ser fácil!
_Você se engana, é difícil para todos, principalmente para ele. Ike, coloque na sua cabeça que eles não queriam aquilo...
_Não consigo.
_Você tem que acreditar. Faça algo para acreditar.
_Sempre vejo a imagem dos dois, nus naquele tapete... Droga! -ele deitou novamente.
_Isso, Ike, volte para o seu casulo! -Diana o criticou. _Lembre-se: Você não perdeu a Barbara para o seu irmão porque nenhum dos dois se queriam, mas você vai acabar perdendo-a de vez se continuar agindo assim.
_Eu já disse que não a quero mais, não me importo se a perder.
_Claro que se importa, pense nas coisas pelas quais passou para ficar com ela. Quer jogar isso fora? Pense nisso.
Diana saiu do quarto e deixou Isaac pensando. Ele segurou firme o travesseiro e depois o arremessou, com raiva, na parede. "Droga! Eu ainda amo essa menina. Droga! Mas vou ser forte e não vou perdoá-la, não sou otário, não sou palhaço para ser tratado assim." PRÓXIMO >> |