EpisÓdios
#015 | Dia de paz, noite feliz

Os dias 22 e 23 foram bastante comuns, apenas se divertiram pela cidade, e nada mais. Tulsa não era o que se podia chamar de 'cidade da diversão', não era como o Rio de Janeiro.
No dia 24, véspera do Natal, os parentes dos Hanson, que eram de outra cidade, chegaram. Era o dia de irem até a igreja e rezar, unir a família. Walker já havia avisado: Na missa das 6, Isaac, Taylor e Zac cantariam "Silent Night" à capela.
Durante a manhã, o primo William e seus pais chegaram à casa da família Hanson para ajudar nos preparativos da festa. Já que estavam hospedados num hotel perto dali, não custava nada colaborar.
Isaac, Taylor, Zac, e as meninas, estavam arrumando a árvore de Natal quando eles entraram na sala:
_William?!? -Isabelle perguntou sorridente.
_Isabelle?!? -ele respondeu sem acreditar no que via.
_Ué, vocês já se conhecem? -Taylor estava intrigado. Nunca havia falado dele para ela e nem dela para ele.
_Nós nos falamos várias vezes pela internet... mandamos fotos... Que maneiro! Eu não estou acreditando! -disse cumprimentando todos com apertos de mãos.
Quando as formalidades findaram, William juntou-se a eles para arrumar a árvore.
_Você sabe quem vem para o Natal? -Zac perguntou ao primo.
_Não. Quem vem?
_A prima Heaven! -ele sorriu.
_Prima Heaven? Aquela sumida?
_Ela mesma. -disse Isaac. _Estou ansioso para hoje à tarde. A família estará toda na igreja, vamos cantar...
William pensou, com uma certa inveja: "Droga! Vão ser o centro das atenções mais uma vez!"
Zac completou o que Isaac acabara de dizer:
_E a noite vai ser ainda melhor... COMIDA!!!
_Zac, você só pensa em comida! -disse Taylor.
_É o que nos mantém vivos, Tay.
Taylor deu um tapinha na cabeça de Zac, a fim de implicar.
Sabrina interrompeu o momento "amor entre irmãos":
_Quando vamos abrir os presentes? Meia-noite? Essa sim é a melhor parte da noite!
_Não. Meia-noite vamos rezar... -Zac parou para pensar sobre o que Sabrina tinha dito. _Vocês no Brasil abrem os presentes à meia-noite?
_É a tradição. -respondeu Isabelle.
_Droga! -ele resmungou. _ Por que não moro no Brasil? -riu.
À tarde, depois de arrumados, foram caminhando pelas ruas até uma pequena igrejinha perto dali. A igreja estava lotada, e algumas pessoas estavam do lado de fora. Não chegava a ser a missa animada do padre Marcelo Rossi, mas os Hanson estavam lá, e mais que isso, iam cantar à capela.
Isaac, Taylor e Zac subiram no lugar destinado ao coro, na lateral do altar, e começaram a cantar "Silent Night". Muitos se emocionaram com aquelas vozes de anjos cantando uma canção tão bela. Barbara, Isabelle e Sabrina não conseguiram conter as lágrimas.
Quando a missa terminou, agruparam-se na porta da igreja para tirar a clássica foto com toda família reúnida. Barbara, Isabelle e Sabrina saíram na foto, afinal, era como se já fossem da família. Estavam um pouco deslocadas, mas sabiam que com o tempo isso iria mudar.
Voltaram para casa por volta das 8 da noite. Os familiares conversavam bebendo vinho, comendo nozes e amêndoas, enquanto sentiam o cheio do peru assado. As crianças brincavam com a fina neve que caía, e os adolescentes conversavam em frente a lareira.
_Que Natal perfeito! -disse Taylor. _ A família está praticamente toda aqui, estou em frente a lareira com minha namorada... -ele abraçou Isabelle. _Mais perfeito do que isso não podia ser.
_Hmmm, que baba ovo... A baba chegou aqui. -William sacaneou Taylor.
_Não sou baba ovo!
Taylor não levou na boa a brincadeira do primo. Levantou do sofá de cara feia e levou Isabelle para o lado de fora da casa.
Zac e Sabrina ficaram conversando com Heaven e William, ainda em frente a lareira:
_Estou morrendo de fome. -reclamou Zac.
_Novidade! -disse Heaven _Vá até a cozinha. Têm umas coisas gostosas lá.
_Hmmm... Acho que prefiro esperar o peru.
_Heaven? -Sabrina a chamou.
_O quê?
_Você não tem namorado? -foi indiscreta.
_Não, ainda não achei alguém legal...
Zac se meteu:
_Por que você não fica com o William? Ele é legal.
Heaven fez cara de desaprovação.
_Somos primos.
_E daí? São primos distantes, é como se nem fossem primos. E está faltando uma história fora dos padrões na família.
_Primos distantes??? -Heaven ficou brava. _Minha mãe é prima do pai dele. Sem chance! William é só meu amigo.
_Sei... -Zac continuou incentivando.
Isaac e Barbara, que estavam destacados dos outros sentados num sofá em frente a TV, bebendo vinho, colocaram suas toucas de lã e foram para o lado de fora da casa.
_Estamos incomodando? -perguntou Isaac ao ver Taylor e Isabelle.
_Não. Sentem-se.
_Tay, estou achando esse Natal tão monótono... Tínhamos que fazer algo mais agitado. -falou Isaac.
_Também acho. Lá no Brasil, com certeza estaríamos dançando ao som de uma música baiana podre, mas pelo menos estaríamos nos divertindo.
_Belle! -Taylor riu. _Você acabou de dizer que não está se divertindo!
_Não é isso, Tay. -falou Barbara. _É que não estamos acostumadas com neve, frio e monotonia no Natal.
Foi a vez de Isaac protestar:
_Barbara, você acabou de concordar que o Natal está monótono...
Isabelle e Barbara cochicharam por um segundo, pediram licença, e disseram que voltariam logo. Subiram para o quarto e pegaram, na mala de Isabelle, o cd do padre Marcelo Rossi.
_Acho que isso vai animar o pessoal. -falou Isabelle.
_Bom, pelo menos não é uma música sobre raladinha na garrafa... e de qualquer forma é animado. Acho que Walker, Diana e os outros vão gostar. Basta dizer que é um padre-cantor... Eles não vão entender português mesmo.
Barbara e Isabelle riram.
_Vamos mostrar para eles que até na hora da oração nós somos animadas! -finalizou Isabelle.
As duas voltaram ao encontro de Isaac e Taylor do lado de fora. Zac e Sabrina estavam por lá também. Tinham resolvido deixar William e Heaven à sós, para ver se saía algum "rolo" entre eles.
Taylor e Isaac ficaram curiosos para saber o que Barbara e Isabelle tinham ido buscar. Isabelle mostrou aos dois o cd do padre e explicou a história dele. Isaac, Taylor e Zac ficaram interessados naquela coisa meio gospel, meio sei lá o quê, e decidiram colocar logo o cd.
As meninas estavam doidas para ensinar os passos das coreografias, só não imaginavam que isso ia ser feito no meio da sala, onde estavam todos os familiares. Ficaram com vergonha no começo, mas ensinaram a todos a dança dos "animais". Walker e Diana acharam aquilo tudo muito interessante. Cada vez mais estavam aceitando aquelas meninas que de início tinham detestado.
A noite da véspera de Natal estava, finalmente, començando a ficar mais animada. Heaven e William já estavam trocando beijos escondidos nos fundos da casa. E Barbara, Taylor, e até mesmo Isaac, estavam bebendo mais vinho do que o necessário.
Um pouco mais tarde, Diana trouxe o peru para a mesa. Fizeram uma breve oração e depois se deliciaram com todas aquelas coisas gostosas.
Com a chegada da madrugada, os familiares voltaram para os respectivos hotéis. No dia seguinte, a festa continuaria com o almoço de Natal. Dia de abrir os presentes que Papai Noel, ou os pais, iam colocar sob a bonita e luminosa árvore. Era um momento muito esperado por todos.
O primeiro a acordar no dia 25 foi Zac. Antes de descer, ele acordou os irmãos e as garotas, queria que todos abrissem os presentes juntos. Ao surgirem na escada que dava acesso à sala, deram de cara com Diana, Walker e os irmãos mais novos esperando por eles.
_Que bom que desceram logo, eu não ia aguentar controlar a curiosidade das crianças. -disse Walker. _Agora que estão todos aqui, podem procurar os seus presentes na árvore. Depois, tenho uma surpresa para Taylor e Isaac do lado de fora.
_Do lado de fora? O que é? Picolé? -Perguntou Isaac tentando ser engraçado. Apenas tentando, porque ninguém riu.
_Uma surpresa. Primeiro abram os presentes que estão na árvore.
Isaac, Taylor, e Zac correram em direção a árvore, enquanto Barbara, Isabelle e Sabrina olhavam tudo de longe.
_Vão até lá também, meninas. -disse Diana. _Papai Noel também deixou algo para vocês.
Totalmente inibidas, as três foram procurar seus presentes. Diana havia comprado três lindos porta retratos, e colocara uma foto de cada um de seus respectivos filhos, fotos de quando eram bebês. Acreditava que esse presente significaria muito mais para as garotas do que uma roupa ou qualquer outra coisa. Elas adoraram. Agradeceram à Diana e Walker e foram, em seguida, para o quarto, buscar os presentes que dariam a eles. Zac, Taylor e Isaac adoraram a calça, a blusa, e o sapato, respectivamente.
Walker disse, então, que Taylor e Isaac podiam ir para o lado de fora ver os presentes-surpresa. Eles saíram apressados, muito curiosos. Ao abrirem o portão de casa, viram dois carros estacionados na rua: Um prateado, e um azul metálico, ambos do mesmo modelo.
_Isso é pra gente? -perguntou Isaac.
Walker sorriu.
_Escolham a cor que preferirem e divirtam-se!
_Pai, mãe, muito obrigadoooo! Uh huuuuuuu! -gritou Taylor. _Agora não dependo mais do carro de vocês! Isso é muito bom!
Isaac escolheu o carro azul, Taylor ficou com o cinza, e Zac ficou indignado.
_E eu? -ele perguntou.
_Só daqui a 2 anos. Zac, você ainda não pode dirigir. Pegue uma carona com seus irmãos. -Walker passou a mão na cabeça dele, bagunçando seu cabelo.
Zac não queria deixar transparecer, mas estava realmente chateado. Tudo o que ele tinha para se locomover era um par de patins, um skate e uma bicicleta. A moto estava quebrada. Agora dependia de Taylor e Isaac para ir mais longe. Ao contrário de Zac, Taylor e Isaac eram só sorrisos. Já dentro dos carros, chamaram Barbara, Isabelle, Sabrina e Zac para um passeio pelo quarteirão.
Na volta, encontraram Walker, Diana, as crianças, e mais duas garotas: Gracy e Mary. Estacionaram o carro e saltaram.
Gracy cochichou, na cara de pau, no ouvido de Taylor: "Quando você vai me levar para passear nesse seu carro potente?"
Taylor respondeu em uma única palavra:
_Nunca!
Walker perguntou:
_E então, meninos, gostaram dos carros?
_Muito bom, não vejo a hora de sair dirigindo para uma noitada maravilhosa!
_Tay, meu filho, isso só vai ser possível depois do Natal. Só amanhã. -Diana sabia o que Taylor queria dizer com "noitada maravilhosa". Ela não o repreendia mais, mas exigia o mínimo de respeito naquele dia. _Já que você quer tanto andar de carro, vá com Zac comprar uns refrigerantes, por favor.
_Ok, mãe. Venha, Zac. Vamos dar um passeio.
_Podemos ir? -perguntou Gracy, convidando ela e a irmã.
Walker respondeu antes que Taylor pudesse abrir a boca:
_Claro. Juntem-se a eles. Zac, Tay... Gracy e Mary vão com vocês. Elas estão doidas para andar no seu carro novo.
Mesmo contra sua vontade, Taylor levou as duas meninas. Isabelle e Sabrina odiaram a idéia do passeio com as vizinhas, mas confiavam nos dois o suficiente para não deixarem a raiva tomar conta. Entraram em casa com Isaac e Barbara, mas só depois que viram o carro de Taylor sumir no final da rua.
_Daqui a algumas horas, os familiares vão chegar para o almoço. Vocês concordam em me ajudar a arrumar as coisas?
_Claro. -as meninas responderam para Isaac.
No carro de Taylor; Mary e Gracy, sentadas no banco traseiro, tentavam puxar assunto com eles.
_Até quando suas namoradas vão ficar aqui? -perguntou Mary.
_Até depois do Ano Novo. -respondeu Zac.
_E vocês estão programando algo legal para a festa de Ano Novo? -perguntou Gracy.
_Ainda não sabemos o que vamos fazer.
_Tay, por que vocês não vão lá para a festa do clube? Vai ser demais.
_Gracy, não podemos, não vamos ter paz se formos até lá. Preferimos ficar em casa e celebrar com a nossa família.
_Eu acho que vou para o clube. -disse Gracy.
Zac pensou: "Quem te perguntou alguma coisa?"
_Gracy?
_Oi, Tay. Fala.
_Você pode ficar no carro com sua irmã enquanto eu e Zac vamos comprar os refrigerantes?
_Sim. Podem ir tranquilos. Eu tomarei conta de tudo por aqui.
Taylor e Zac foram comprar as bebidas, e, quando voltaram, encontraram as duas, quietinhas, esperando por eles. Passou pela cabeça dos dois se aquele silêncio e quietude não faziam parte de mais uma armação delas. Voltaram calados para casa. Deixaram as duas na casa vizinha e estacionaram o carro na calçada em frente a residência.
Durante o almoço de Natal, correu tudo muito bem. Isabelle, mais uma vez, fez com que aquela família se animasse ao som de músicas brasileiras.
Quando a noite chegou, e já não havia mais parente algum naquela casa, os jovens foram para o quarto conversar.
_Estou exausta! O dia de hoje foi muito cansativo.
_É verdade, Barbara. Dançamos muito por hoje. -disse Isabelle, deitada em uma das camas.
_Não sei como vocês conseguem. Eu dancei 10 minutos e cansei. -disse Taylor, sentado no chão com as costas na parede.
Isabelle pensou: "Você se cansa de dançar em 10 minutos, mas quando está no 'vamos ver' nunca se cansa. Espertinho!" Ela sorriu enquanto viajava em seus pensamentos pervertidos.
_Pena que a sua mãe não deixa a gente fazer nada esta noite... -resmungou Sabrina.
_Ela deixa, mas contanto que seja aqui em casa. Bem, não pode ser nada muito "festivo" demais porque hoje é um dia especial. -falou Zac.
_Poxa, eu queria fazer algo "festivo".
_Sabrina, vamos inventar algo divertido, então. -falou Zac.
_Como o quê? Não confio nas suas invenções...
_Vamos sair. A cidade está sem movimento. Lembro de uma vez que eu e uns amigos saímos de carro... Andávamos rápido demais, meio sem rumo, até que chegamos a um cemitério... Foi bizarro. Desligamos os faróis, e a rua ficou toda escura. Era uma cidadezinha pequena, não tinha uma alma viva na rua. Ficamos metendo medo um no outro..
_Legal! Eu nunca fiz isso! Barbara, você é tão vivida!!! -disse Zac empolgado. _Garota, podemos ser parceiros, adoro o seu jeito animal!
_Não vamos fazer isso, Zac. -reprimiu Isaac. _Meu carro é novo, não gosto de correr, já bati com o carro uma vez, e não quero fazer isso de novo... E além de tudo, não vamos até o outro lado da cidade procurar um cemitério na noite de Natal. Faremos isso no Halloween do ano que vem!
_Não sei como a Barbara te aguenta. Você é muito paradão!
_Ok, Zac. -disse Taylor. _Eu faço o que você tanto quer. Acho que vai ser demais! Vamos no meu carro!
_Eu não vou! -falou o rabugento Isaac.
_Ah, Ike, você vai sim. -disse Barbara quase que ordenando.
_Meu amor, isso é perigoso, meus pais não vão deixar...
_Seu mongol, eles não vão saber! -disse Taylor.
_Precisamos colocar roupas pretas?
_Claro que não, Zac, a menos que você queira! -Barbara respondeu, achando graça.
_Qual a mentira que vamos inventar para a mamãe?
_Diga que vamos para a casa do Bryan. -falou Zac para Taylor.
_Será que ela vai acreditar? Provavelmente vai dizer que não é para incomodarmos a família dele hoje, e então nosso passeio vai para o brejo.
_Vocês discutem demais. Tay, não interessa se ela vai acreditar ou não. Diga que vamos dar um passeio e não entre em detalhes! -disse a esperta Isabelle.
_Tudo bem. Estão todos prontos?
_Vamos logo, então. -disse Isaac levantando. Ele não concordava com a idéia, mas não ia ser o único do contra.
Inventaram uma história qualquer para Diana e saíram no carro de Taylor. No caminho até o cemitério, colocaram "Robie Zombie" para entrar no clima. Zac estava eufórico com aquilo tudo, e Sabrina, sem o menor pudor, ficava provocando-o com beijos no pescoço. Barbara e Isaac estavam "batendo cabeça", sacudindo os cabelos ao som de "Dragula". Isabelle, por sua vez, abriu a mochila, tirou de lá uma garrafa de vodka, e mostrou para Taylor. A cena estava completa.
_Meu Deus!!! -ele gritou. _Como você trouxe isto? Deus! Esconda a garrafa! Se a polícia aparecer, seremos pegos em flagrante!
Isabelle colocou a bebida de volta dentro da mochila.
Zac e Sabrina estavam se agarrando no banco traseiro. Isaac e Barbara aproveitaram o clima para fazerem o mesmo. Taylor viu tudo pelo retrovisor e gritou:
_Pessoal, olha a putaria aí atrás. Hoje é Natal!
_São 23:30, daqui a 30 minutos não será mais! -Isaac riu alto e voltou para o que estava fazendo. _Se é para me divertir, vou fazer direito.
Enfim chegaram ao cemitério. Era meia-noite, hora das almas vagarem por lá. Taylor apagou todas as luzes do carro, e as meninas começaram a gritar.
_Parem de gritar! -berrou Zac. _Isso aqui não é um show do Hanson!
_E então? Quem vai sair do carro primeiro?
_Você, Taylor. Foi você que deu a idéia! -falou Isabelle.
_Eu não.
_Está com medo de quê? Vai lá e prove que é macho!
_Ike, você vai começar com esse papo de novo???
_Se ninguém vai sair, eu vou. -disse Barbara sem medo. _Vamos, Belle?
_Vamos. Esses meninos são uns frescos. Vamos logo.
_Não somos nós que temos medo de peixe... -implicou Isaac.
_Nooooojooooo! -Barbara e Isabelle falaram em coro.
As duas, que estavam sentadas perto das portas, saltaram do carro. Isabelle levou consigo a mochila com a garrafa de vodka. Taylor e Isaac saíram logo atrás, mas Zac e Sabrina preferiram ficar.
_Tranquem todas as portas e janelas. -ordenou Taylor. _Ah, e fiquem atentos, podemos voltar a qualquer hora... e correndo!
_Aonde vocês vão? -perguntou Zac preocupado.
_Vamos pular o muro e entrar no cemitério.
_Deus! Vocês são loucos?!?
_Totalmente. Tchau, Zac.
Taylor correu para alcançar os outros e, com facilidade, pulou o muro do cemitério. A escuridão, em contraste com os túmulos brancos, fazia do lugar um cenário perfeito para um filme de terror.
Um morcego passou de raspão pela cabeça de Isabelle.
_Ahhhhhhhhhhh! -ela gritou.
_Calma, é só um morcego. -falou Isaac. Ele abriu a mochila e pegou a garrafa de vodka. _Beba um pouco disso, vai fazer com que você esqueça que os morcegos existem.
Isabelle abriu a garrafa de vodka e tomou um gole, em seguida passou a garrafa para os outros beberem.
Isaac perguntou:
_Para onde vamos?
_Vamos ver os túmulos lá do final. -Taylor apontou para o final de uma ruela estreita e muito, muito escura.
_De jeito nenhum. Melhor ficarmos aqui, alguém conta uma história de terror e pronto! -disse Isaac intimidado pela escuridão.
_Que sem graça. Vamos até o fim, Isabelle?
_Não, Taylor. Você me traumatizou naquele "Terror on Church Street" em Orlando...
_Eu vou com você, Tay. Eu gosto dessas coisas. -disse Barbara.
_Então vamos.
_Eu e Isabelle ficaremos aqui. Não demorem!
Taylor e Barbara foram andando bem juntinhos, no fundo estavam com medo. Em segundos, desapareceram no meio da escuridão. Para Isaac e Isabelle não era mais possível vê-los.
Zac e Sabrina, dentro do carro, estavam com um certo receio de ficarem ali sozinhos.
_Zac, honestamente, estou com medo.
_Eu também. Fique perto de mim. Nada de errado vai acontecer.
_Desligue esse rádio! -ordenou Sabrina.
_Não acha que o silêncio é pior? O que você quer fazer? Entrar no cemitério?
_Sem chance! Prefiro que você entre em... -ela se calou.
_Entre onde? -ele sorriu maliciosamente.
_Bem... feche seus olhos.
_Já fechei.
Sabrina levou as mãos até a calça de Zac e, lentamente, desceu o fecho.
_Owwww. -ele falou com os olhos ainda fechados. _Esse é o carro do Taylor, o estofado está novinho...
_Esqueça o estofado!
Sabrina abaixou-lhe a calça e deitou em seu colo.
_Owwww. -Zac gemia. _Meu Deus... Continue...
Zac se contorcia. Os dois estavam muito excitados, porém, um pouco apertados no banco traseiro do carro.
_Eu sabia que não íamos aguentar!
_Shhh...-Zac a silenciou, colocando sua boca em outro lugar.
Sabrina sentiu um mixto de cócegas e prazer, e sorriu de excitação.
_Eu te quero, Sabrina, quero agora! Meu Deus, você é perfeita!
_Temos que ver se o carro do Tay está limpo, ele vai nos matar se tiver um resquício de sexo por aqui...
_Não se preocupe com isso agora. Faremos isso depois.
Isaac e Isabelle conversavam, completamente bêbados, sentados em cima de um túmulo.
_Estamos em cima de alguém. -falou Isabelle rindo mais do que uma hiena. _Controle seus gases!
_Sentados em cima do Coronel Schinneider! Vamos ver... morreu em 1920, não vai se importar com gases!
Os dois riam sem parar.
_Ahhhhhhhhhhhhhhh! -Isabelle gritou, como se tivesse levado um susto ao olhar para Isaac.
_O que foi?
_Um Hanson! -ela riu de novo e, em seguida, deitou de bruços no túmulo. _Agora vou transar com o Coronel. Será que ele vai ficar feliz? Tanto tempo assim... parado! -ela já não estava mais medindo as palavras.
_Não! -Isaac gritou. _Transe com os aliens! Eles virão às duas da manhã!
_De onde você tirou isso, seu mongol?!? Não, não e não! Sexo é só com o Taylor! Cadê o Taylor??? -ela gritou, e escutou o eco de sua própria voz repetindo "Cadê o Taylor... Taylor... Taylor???"
_Ele está com a minha noiva no escuro! Búúúúúú! -Isaac deitou na sepultura ao lado de Isabelle.
Os dois tinham acabado com a garrafa de vodka, sem deixar ao menos uma gota, e isso explicava o fato de estarem tão exaltados.
Barbara e Taylor andaram até o final da ruela que dava num muro. Também estavam alterados, falando muitas besteiras:
_Isso é um muro! Nosso fim. -disse Taylor.
_Muro de Berlim! -Barbara começou a socar o muro. _Caia desgraçado! Precisamos passar!
Taylor olhou aquela cena e começou a rir. Para dar um susto em Barbara, começou a correr em direção à outra ruela, perpendicular à qual eles estavam.
_Espere por mim! -ela gritou. _Não quero ficar sozinha aqui!
_Pare de gritar! Você vai acordar os mortos!
Barbara correu atrás de Taylor e pegou na mão dele.
_Estou com medo!
_Bêbados não sentem medo. Nós não podemos ter medo. Venha.
Taylor correu ainda mais depressa, até que tropeçou numa pedra e caiu no chão. Levantou rápido, constatando que estava com a palma da mão toda ralada.
_Droga! Estou sangrando.
_Você tem que jogar água nisso... -falou Barbara.
_Não tem água nesse canto do cemitério... Temos que procurar um laguinho...
_Nada feito, eu não vou mais longe do que já estou. Me dê suas mãos.
Barbara passou a barra de sua camisa para tirar a areia, e depois começou a lamber os dedos e a palma das mãos dele. Taylor teve uma sensação estranha.
_Owww, está ardendo!
_Vai passar. O que arde, cura. Saliva é bom para isso. -Barbara continuou lambendo e chupando os dedos de Taylor.
Depois daquele 'ritual' nojento, os dois ficaram frente a frente. No escuro, mal conseguiam se ver.
_Onde você está? -perguntou Barbara.
_Aqui. -Taylor esticou os braços e sem querer tocou um dos seios dela. _Desculpa. -disse embarassado.
_Ok. Sem problemas. Vamos voltar, temos que sair desse cemitério. Não estou sentindo um ar positivo aqui. As almas estão nos observando e podem nos incentivar para o mal...
_Não me importo com um pouco de maldade. Vamos seguir por essa rua...
_Não acho que seja uma boa idéia. Isabelle, Isaac, Zac e Sabrina estão esperando pela gente.
_Eles podem esperar um pouco mais... Venha!
Taylor puxou Barbara, e os dois continuaram explorando o cemitério.
Zac e Sabrina continuavam transando no carro, feito loucos. Isaac e Isabelle, deitados no túmulo, já mais calmos, conversavam:
_Estou vendo tudo rodando... -disse Isabelle olhando as estrelas.
_Bebemos demais... Estou vendo tudo em dobro.
_Onde será que aqueles dois se meteram? Estão demorando.
_Relaxe, Isabelle, eles devem estar perdidos. Esse cemitério é grande e cheio de ruelas, e eles estão tão bêbados quanto nós. -falou Isaac com a mão na cabeça.
_Não é melhor irmos procurá-los?
_Dificilmente acharíamos. Continue deitada, daqui a pouco eles voltam.
_Estou com frio... A temperatura está muito baixa.
_Quer meu casaco?
_Não. Obrigada.
Taylor, andando ao lado de Barbara, avistou o túmulo de sua avó. Ele andou até lá, se ajoelhou, e disse:
_Sinto sua falta. Queria que estivesse aqui... Me proteja vozinha, não deixe eu fazer nada de errado nessa vida... Te amo muito.
Barbara, em pé ao lado dele, ficou olhando a cena.
_Minha avó foi enterrada aqui, sabia? Venho de vez em quando venho conversar com ela. Quando estou com problemas, na maioria das vezes.
Barbara se ajoelhou ao lado dele.
_Você está com problemas agora? Podemos voltar aqui amanhã e colocar flores...
_Sim, muitos problemas... -ele segurou a mão dela. _Gostei da idéia das flores, podemos voltar depois.
Barbara olhou para o fim daquela ruela e viu algo se mexendo.
_Tay, tem alguém vindo em nossa direção!
_Onde?
_Lá! -Barbara apontou para um homem careca e baixinho, vestido de branco.
_Ai, meu Deus! Vamos correr... É uma alma penada!!!
Taylor levantou e saiu correndo. Barbara foi atrás. Correram o mais rápido possível, sem parar de gritar nem por um instante. Impulsionados pelo medo, chegaram rápido no túmulo onde estavam Isaac e Isabelle. Assustados com a gritaria, os dois não perguntaram o porquê do escândalo, apenas correram também. Estavam pálidos. Pularam o muro rapidamente e correram em direção ao carro. Numa primeira olhada, não viram Zac e Sabrina. Isaac meteu o rosto no vidro e viu que eles estavam transando. Com certo receio, contou a Taylor, que foi ver a cena com os próprios olhos. Ficou irritado instantaneamente.
_Merda! Eles vão fuder com o banco do meu carro!
_Não, Tay, vão fuder NO seu carro! -Isaac riu, ainda bêbado.
_Merda! Quem vai acabar com o 'bem bom' deles?
_Você, afinal o carro é seu!
_Merda! Merda! Merda! Isso é muito pior do que andar sozinho pelo cemitério!!!
Taylor bateu na janela do carro fazendo com que Zac e Sabrina tomassem um susto. Vestiram-se rapidamente e abriram a porta.
_Zac! -Taylor gritou. _O que você pensa que está fazendo? Você sujou o meu carro com suor!
_Suor nem é a pior parte... -Isaac riu baixinho para não irritar ainda mais o irmão.
_Desculpe, Tay... Nós não conseguimos nos controlar. -falou Zac.
_Amanhã você vai limpar tudo isso. Sentem-se, precisamos ir embora daqui. Eu vi um cara de branco correndo atrás de mim.
_Um baixinho e careca? -Zac perguntou.
_É. Por quê?
_Ele é o coveiro... Gente fina pra caralho! -Zac riu. _Vocês quatro estão fedendo à bebida. Mamãe vai matar vocês.
_Vamos ver.
Taylor acendeu as luzes do carro e pisou fundo no acelerador. Chegaram em casa em pouco tempo, e, milagrosamente, inteirinhos. Eram quase 3 da manhã, e Walker estava esperando por eles, acordado na sala.
_Onde estavam?
_Dando uma volta. -respondeu Taylor, quase sem conseguir esconder a mentira.
_Onde?
_Por aí. -disse Isaac.
Walker sentiu o cheiro forte da bebida.
_Vocês estão bêbados!!! Onde estavam???
_Por aí, já disse! -falou Isaac novamente.
_Vocês têm noção de que era noite de Natal???
_Pode deixar, pai, só aprontamos depois da meia-noite! -Taylor foi sarcástico.
_Você dirigiu bêbado? Cadê sua responsabilidade?
_Ainda não encontrei... mas eu acho que pode estar morta e enterrada. -Taylor adorava desafiar Walker com suas respostas atrevidas. _Estávamos no cemitério, paizinho.
_Será que dá para falar a verdade?
_Mas é verdade! -Taylor disse.
_Estão os três de castigo... Ou melhor, os seis estão. Subam e vão dormir. Não gostei do que aprontaram. O cheiro da bebida está fortíssimo, e não querem dizer onde estavam.... Subam já! Estão de castigo, e só vão sair de casa quando eu liberar.
Os seis subiram calmamente, principalmente os que tinham bebido. Agarraram-se no corrimão e fizeram um esforço tremendo para seguir em linha reta. Taylor, para desafiar Walker ainda mais, ficou na sala. Os outros, ao colocarem suas cabeças no travesseiro, viram tudo rodando. Depois, tudo preto. Dormiram logo.
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